Opinião
Tumulto em v�o - Editorial
Novamente, os sem-terra ocupam prédios em Maceió. Dessa vez, a ação se apresenta como mais organizada e mais ampla, alcançando 7 imóveis nos quais funcionam órgãos públicos. Até a sede da companhia distribuidora de energia entrou na lista. Que reivindicam? Resumindo a extensa pauta, dali se destacam a exigência de maior agilidade nos processos de reforma agrária e ? mais uma vez ? a demissão do diretor do Incra em Alagoas. Um dos pontos a se levar em consideração numa avaliação sobre esse atual protesto é que, dessa vez, estão reunidos todos os grupos e tendências que se propõem a organizar a luta pela reforma agrária. Unidas, as muitas siglas desse movimento podem causar tumultos consideráveis ? ou, no caso de conseguirem evoluir politicamente, poderão avançar em suas reivindicações. Nos primeiros dias dessa ocupação, o caminho do tumulto parece estar sendo a opção. A tentativa de saque a um supermercado, ontem, é mais uma confirmação da incapacidade dessas siglas, mesmo unidas, de encontrarem um caminho de luta que seja simpático ao restante da população e que seja capaz de lhes garantir algum tipo de apoio da opinião pública. A cada ação dos movimentos sem-terra, amplia-se uma visão negativa por parte da maioria da população. A falta de resultados concretos (como a multiplicação de assentamentos produtivos) tem causado desgastes à imagem dos sem-terra, apesar de igual (ou maior) desgaste alcançar também os órgãos governamentais responsáveis pelos processos de reforma agrária. Sobre esses é projetada a sombra da ineficiência, da burocracia e da politicagem; sobre os sem-terra, aumenta o entendimento que estariam mais interessados em agitar e exigir cestas básicas que realmente ocuparem produtivamente as terras reivindicadas. No fim, todos perdem. Não é hora de mudar essa escrita?