Opinião
Senhor e escravo
| José Sebastião Bastos * Perde-se, talvez na noite dos tempos, o início da escravatura no planeta Terra. Numa sinopse histórica, podem ser considerados os aspectos gerais da escravatura no mundo, a começar pela família patriarcal, em cujo seio o escravo era destituído de qualquer capacidade para quebrar os elos que o acorrentavam ao domínio do senhor, como se fosse simples coisa ou animal de propriedade do seu dono. Afirmam, autoridades na espécie, que o estado de escravidão se originou na sociedade primitiva ou tribais, das guerras, ou melhor, das lutas quase intermináveis que entre si travavam. É claro que os vencidos, quando não exterminados sob as pontas de lanças, ficavam à mercê dos vencedores, escravizados de acordo com as conveniências dos amos ou senhores prepotentes. Estava lançada, pois, em glebas regadas a suor e sangue, a semente doentia da escravatura, na face do planeta, da qual haviam de nascer da árvore escravocrata, de frutos amargos, que continuam a travar no paladar das sociedades de todos os tempos. Tais fatos, ocorrentes na lentidão das primitivas épocas, deram-se ?quando os povos coletores e caçadores, antes de tração animal, avançaram para o regime pastoril e de sedentarização agrária?. Daí, ao ultrapassarem o período de germinação social, esses costumes, por modificações sucessivas, refletiram na organização de povos evoluídos, que os legalizaram nas relações odiosas de compra e venda de escravos, como se fossem meras mercadorias para o consumo insaciável de exploração de seres humanos. Desse ponto de vista, já se projetava a concepção espúria da exploração do homem pelo homem. Hamurábi - Basta dizer que, viciosa e erroneamente, foi a escravatura o alicerce da revolução econômica na Grécia e em Roma, sistematizadora da divisão de trabalho, bem assim da produção e distribuição de riquezas, fatores decisivos na diferenciação das classes sociais. No que se refere à distribuição geográfica, cumpre notar a difusão da escravatura na Melanésia, na Polinésia, Taiti e Nova Zelândia. No arquipélago Malaio e nas Filipinas. Na Ásia Central e na África do Norte. Com referência às Américas, vamos encontrar regimes escravocratas no México, na América Central e no Peru. Entretanto, foi a África o maior centro abastecedor de escravos para a Europa e a América em geral. Para o Brasil, de sul a norte, principalmente nas regiões nordestinas, logo no início da lavoura canavieira e nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, com a lavoura dos cafezais. (*) É procurador de Estado aposentado e Jornalista.