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Os ares do mundo

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| Eduardo Bomfim * Em 1990, o economista Celso Furtado publicou um livro, Os ares do mundo. Depoimentos que revelam o pensador, formulador de políticas públicas para o Brasil e os países em desenvolvimento. Idealizador da Sudene, defensor de ações governamentais planejadas que buscasse combater as desigualdades regionais e sociais, mostra nessa obra uma cultura abrangente, preocupado com o futuro progressista das nações emergentes. A humanidade produz, em certos períodos, gerações destemidas, combatentes, voltadas para os problemas da sociedade. Em outras épocas, conseqüência de fenômenos objetivos, explicáveis, assim como as marés do oceano, gerações inapetentes, existenciais. Furtado compreendeu e combateu o pensamento gerado por essa tendência. Afirmava que por alguma razão a idéia da angústia abstrata, sem motivo, está no centro de todo o pensamento existencialista. O homem seria, para estes, uma paixão inútil. São pensamentos circulares. Um ir e vir sem fim. Deslocando-se para um descarnado individualismo: ?assumindo sutilmente as características de um deus decaído?. Ao construir o mundo de acordo com os seus pensamentos, de uma subjetividade unicamente individual, abstraindo a realidade social, criam uma perigosa miragem. Os que só olham para o próprio umbigo, diz o povo. Os tempos atuais ainda são propícios aos novos existencialistas empíricos, frustrantes. Tudo odeiam em suas negações obsessivas. Notadamente o pensamento solidário, transformador. Mas, declara Furtado, são momentos pontuais de incertezas na História. São os ares do mundo. Considerava o avanço político, o mais difícil e importante que logra o homem, mantendo a sociedade aberta, administrando conflitos, exercendo a capacidade de autogovernar-se em generosidade. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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