Opinião
Estamos s�s e desamparados
| Marcos Davi melo * Enquanto em Brasília o ministro Palocci se mantinha firme no governo à custa do rigoroso superávit primário de 4,5% e diante das queixas dos políticos ele afirmava que tinha dinheiro nos ministérios à disposição deles, o quadro por aqui na saúde era desalentador. Exemplo um: Daniel Alves, um jovem médico que foi aluno meu na Ecmal realizava o primeiro Congresso Alagoano de Medicina de Família. Reservadamente confidenciou-me que após algum tempo no interior participando do Programa de Saúde da Família (PSF), teve que abandoná-lo por absolutas faltas de condições para exercer a medicina com um mínimo de qualidade e dignidade. Exemplo dois: após atendermos mais de 400 pacientes portadores de câncer do SUS, em outubro na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, tivemos a terrível informação que a Secretaria Municipal de Saúde, por absoluta falta de recursos, só iria pagar a metade dos atendimentos efetuados. Foi feito um corte só neste mês de mais de 350 mil reais nos atendimentos dessa tradicional Instituição. Todos sabem que os pagamentos feitos pelo SUS estão extremamente defasados; os tratamentos de câncer são muito onerosos e a maioria está há dez anos sem reajustes, enquanto neste período a inflação nos custos médicos foi pelo menos 3 vezes maior que a inflação geral. As dificuldades ocasionadas aos médicos e aos hospitais que atendem ao SUS por preços tão aviltados e ainda por cima são cortados em mais 50% de seus pagamentos são indescritíveis. Apesar dos esforços da Secretária Municipal de Saúde, os recursos que vêm do Ministério da Saúde são insuficientes. Situação que em Alagoas é bastante agravada porque o governo estadual não cumpre com a emenda constitucional 29, que determina uma participação de recursos próprios do Estado para a saúde. Esse injustificável fato não se paga os atendimentos médicos e hospitalares, feitos aos pacientes do SUS com câncer. É uma aberração só encontrada em Alagoas. Descalabro que não existe em nenhum outro estado do País. Principalmente, em uma época como esta quando as instituições têm tantos compromissos, entre eles o 13º salário. Os hospitais de Pernambuco, certo tempo atrás, estiveram sob ameaça de enfrentar semelhante problema. Os gestores recorreram ao senador Marco Maciel que conseguiu uma verba suplementar mensal do Ministério, e lá nunca nenhum paciente com câncer do SUS deixou de ser honrado. Aqui, continuamos sozinhos, desamparados e sem apoio para atender a comunidade carente. Até quando vamos agüentar? (*) É médico.