Opinião
Depois da cassa��o - Editorial
Cassado o ex-todo-poderoso ministro da Casa Civil, muitos poderão se enganar ao supor a crise finda. Uns dias de alívio até poderão advir para o governo federal, produto de certa modorra pós-lauta refeição (por parte dos oposicionistas), mas muitas feridas seguem abertas, e o caminho da mina foi descortinado aos opositores ? as CPIs teimarão em manter sua artilharia atuante sobre o Planalto, o PT e seus aliados. A cassação encerra processo no qual José Dirceu provou o ácido tempero usado em suas próprias investidas políticas contra aqueles que julgava seus adversários. Nos momentos finais de sua agonia, enquanto personagem central da tragédia bufa do mensalão, viu-se transformado num alvo capaz de atrair todos os ataques ? até as mais indignas agressões pessoais, como no caso das bengaladas. Afastado Dirceu, haverá mudanças na pontaria de focos sobre o palco, alteração de protagonistas, mas pouco ajuste de cenário, e a mesma história continuará em cartaz. Para mudar o enredo, ou mesmo fazer outra peça entrar em cartaz, serão necessárias habilidades que o governo petista não demonstrou possuir ? pelo menos até ontem. Alguns poderão ter acreditado que com a cassação do ex-ministro, a crise feneceria e a paz poderiam ser restabelecida. Engano. O governo não saiu das cordas, segue encurralado, levando pancada de todo lado. O Planalto demonstra pouca capacidade de fazer acontecer coisas efetivamente novas, seja no campo social, seja no campo econômico. Como resultado dos esforços dos anos passados, hoje, a cada pesquisa divulgada, comemora-se um dado positivo ou pranteia-se um número negativo - se estabelecer uma ligação lógica entre um dado e outro. E, perigosamente, o País segue à deriva, com ventos deletérios das denúncias e escândalos, sem sopro de crescimento econômico e desenvolvimento social.