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| EDUARDO BOMFIM * Dizia Karl Marx, o grande pensador, teórico e revolucionário alemão, ?Nada do que é humano me é estranho?. Assim como a sociedade interfere nos rumos da economia, a economia constrói novos parâmetros de comportamento e relações de classes. Trata-se de uma correspondência íntima entre os dois processos. Basta atentar com bastante cuidado sobre as novas formas de relacionamentos interempresas e entre as pessoas. Nestes tempos pós-modernos, surgidos após a hegemonia neoliberal em todo o mundo, percebe-se a ascensão do fenômeno do individualismo e o declínio da solidariedade coletiva, dos gestos humanistas individuais. Vivemos a ?lei do cão?, como costuma dizer o povão. Ou outra frase também conhecida pelos setores médios, ?quem for podre que se quebre?. Isso não significa apodrecido. Refere-se aos mais fracos, aos menos protegidos pelas circunstâncias da vida. O que me lembra o conhecido personagem do ator Chico Anísio, certo deputado extremamente fisiológico, impregnado por intenso desprezo pelos menos favorecidos economicamente, os mais pobres. Possuía uma frase lapidar: ?Eu quero que o povo se lixe?. É verdade, nada do que é humano me é estranho. Mas o ser humano encontra-se sempre inovando em suas estranhezas. Seja como revolucionário ou como obscuro, execrável. E, nesses tempos de loucas finanças parasitárias, é inegável que deram a largada para uma espécie de corrida desenfreada em busca do sucesso a qualquer preço. Há uma escassez maior da franqueza, da lealdade, da elegância no trato para com os semelhantes. Sinceramente, não sei qual dos dois maiores danos provocou o novo liberalismo, se a depreciação da soberania das nações, a miséria em escala planetária ou a desumanização dos indivíduos. Equivalem-se. Pergunto-me o que diria o vivente de outras eras se retornasse aos tempos atuais. Que nova espécie de barbárie presenciariam. Essas novas Biafras em todos os continentes e esses celulares que fazem com que as pessoas se comuniquem onde estiverem. Essa incrível revolução científica e tecnológica, esses inventos e máquinas maravilhosas e a pobreza endêmica. Esses superávits econômicos espetaculares e o inferno das favelas. O tráfico e o crime hediondo banalizados. Épocas são de prudência. Outras de indignação, renegando a infâmia, exaltando a civilidade que buscamos todos nós, sem discriminarmos ideologia ou religião. Basta. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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