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Opinião

Tra�o do arquiteto

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| RUBEN WANDERLEY FILHO * Em 1998, lancei um livro de arquitetura com a produção de meu escritório. Minha intenção à época era estimular o pensamento crítico sobre o fazer arquitetônico em Alagoas, já que pouco se discutia, e a cidade passava por transformações em cima de uma arquitetura de mercado sem maiores avaliações de seu conteúdo. Afinal, o que estaria por trás de uma obra construída? Que conceito continha cada projeto? Estimular esses debates é um exercício de cidadania para nosso aprimoramento profissional, e isso se deve dar através de livros, publicações, mostras e seminários. Maceió possui excelentes críticos de arquitetura, como Pedro Cabral, Regina Coeli, Regina Lucia etc. que têm nos dado uma contribuição valiosa nessas discussões. Recebo hoje um belo exemplar do livro do arquiteto Mário Aloísio, que nos transmite com seus projetos uma verdadeira lição de arquitetura. Sempre acreditei em arquitetura como parte da produção cultural de um país. Os bons arquitetos são justamente aqueles que assumem suas responsabilidades como agentes dessa produção, e a obra de Mário traduz justamente esses preceitos. Fui seu contemporâneo na Ufal, não fui seu aluno, mas confesso que com ele aprendi, observando suas obras, minhas melhores lições de arquitetura. Mário sempre foi mestre e aprendiz, sempre abriu seus conhecimentos para todos numa verdadeira doação, muitos são os profissionais hoje atuantes que passaram por seu escritório. Hoje, no auge de seu aprimoramento profissional, reúne um conjunto de obras que nos dá a verdadeira dimensão de seu trabalho, sobretudo de conteúdo humanístico. Ao longo de minha carreira, tenho participado de diversos concursos e mostras tendo obtido diversas premiações e reconhecimentos; poder haver recebido em 2003 o prêmio do IAB na categoria multifamiliar com o Residencial PAR Galapágos, saindo na frente de Mário Aloísio, para mim foi um grande orgulho, sabendo da qualidade das obras dele. Reconheço hoje que muitas da lições empregadas naquele meu projeto vieram das obras de Mário Aloísio espalhadas na cidade. Obras que se traduzem como arte, poesia e técnica e que nos ensina que ao trabalharmos com o produto, com construtoras, imobiliárias e clientes não devemos nunca perder de vista nossa condição cultural. Sempre existirão alguns profissionais que, como os engenheiros, farão um galpão e outros como os publicitários farão apenas as fachadas para vender. (*) É arquiteto e diretor da Cipesa Engenharia S.A.

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