Opinião
Desigualdades - Editorial
Dados divulgados sobre os indicadores sociais brasileiros mostram nosso Estado em situação que requer estudos urgentes e ações ainda mais imediatas. De positivo, deixamos a pior posição (registrada em 2003) no item divisão de renda, e evoluímos para o segundo lugar no Nordeste, superados apenas pela Bahia. De negativo, o choque dos dados sobre a alta taxa de mortalidade infantil e a baixa expectativa de vida. Autoridades do governo estadual discordam dos dados do IBGE e esgrimem argumentos sobre equívocos cometidos no manusear desses números. Espaços devem ser abertos para que as contabilidades sociais sejam expostas e que as dúvidas sejam dirimidas. Mais importante nesse processo todo, porém, não é a aritmética das estatísticas ? que ela seja corrigida, para que erros numéricos não provoquem equivocadas tentativas de solução. O mais importante é a identificação dos problemas e a definição de políticas públicas para que tais dificuldades sejam sanadas, ou pelo menos enfrentadas com a devida força. Devemos ter de combater a mortalidade infantil e garantir uma maior expectativa de vida. Devem ser objetivos permanentes de toda a sociedade e não apenas uma obrigação governamental. Assim, que sejam esclarecidas as dúvidas sobre a metodologia e sobre os resultados da pesquisa do IBGE, mas que ? independente de quaisquer números (pois sabemos que as coisas não estão boas para nenhum estado brasileiro) ? não seja arrefecida a busca de soluções urgentes para a situação. As marcas das desigualdades (regionais, sociais, raciais) são reais e não podem ser minimizadas. E Alagoas, historicamente, é um dos estados mais castigados pelas desigualdades nacionais ? e essa constatação deve-nos inspirar para seguir adiante, não aceitar o negativismo e encontrar saídas práticas, pois potencial não nos falta.