Opinião
Sonho de mar - Editorial
Estaria certo o prognóstico da pesquisa sobre o ?fim? como destino da Praia do Francês? Pelo sim, pelo não, as preocupações formuladas pelo estudo e divulgadas pela Gazeta em nossa edição de domingo, merecem todas as atenções por parte da sociedade e, particularmente, pelas autoridades. Um dos mais belos trechos da orla alagoana, a área conhecida como Praia do Francês deve ser encarada como um dos símbolos de erros e acertos da experiência turística alagoana. A impressão de qualquer pessoa que tenha acompanhado os últimos anos de evolução urbana daquela praia é de que a pesquisa está absolutamente certa, e a paradisíaca orla do Francês está seriamente ferida por uma ocupação desordenada e predatória. O amor a Alagoas, porém, instiga a busca de soluções que possam recuperar o paraíso que não pode ser desperdiçado. O lugar tem fortes apelos históricos, afinal foi ali o ?porto dos franceses?, onde os corsários a serviço do ?caixa 2? da velha França controlavam o contrabando em toda área, driblando a precária vigilância colonial portuguesa. O lugar tem fortíssimo apelo natural, esbanjando beleza e variedade de praias que vão desde as cálidas e pacíficas águas protegidas pelos arrecifes às agitadas ondas que atraíram surfistas de todo o Brasil. E, caminhando no sentido da Boca da Barra, as áreas que separam a Lagoa Manguaba do mar continuam a ser verdadeiros tesouros da Natureza. O lugar tem tudo para dar certo, tudo para ser um dos principais pontos de atração turística de Alagoas (entendido o turismo local e não apenas o público de fora do Estado). O que a Praia do Francês precisa é de uma intervenção do poder público, para estabelecer uma política de ocupação do solo e de recuperação do meio ambiente. Talvez ainda esteja em tempo de evitar o fim dos sonhos para aquela privilegiada área.