Opinião
Pol�cia e exclus�o - Editorial
O novo relatório da Anistia Internacional, longamente intitulado ?Eles entram atirando ? Policiamento de Comunidades Socialmente Excluídas no Brasil?, destacado no noticiário nacional de nossa edição de domingo, trata de violações aos direitos humanos cometidas por policiais. A base do estudo é formada por relatos de familiares de vítimas, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. E chama a atenção para os efeitos desse antigo e seriíssimo problema que geralmente resultam em novas violências, algumas vezes até mais trágicas. Como o caso do ônibus incendiado há dias por traficantes no Rio, atentado que matou cinco pessoas e feriu outras 11. Segundo as investigações, tal ato criminoso teria sido cometido em represália à morte de um comparsa num confronto com policiais. Pode ser que as polícias de vários estados brasileiros não mereçam ser denunciadas e advertidas por excessos nas suas atribuições constitucionais, principalmente quando as pessoas investigadas ou capturadas vivem nas comunidades mais miseráveis. Mas essas forças policiais precisam ser preparadas para ações preventivas e para evitar conseqüências danosas, como as mortes de menores (acusados de relação com o tráfico), ocorridas em Niterói. Essa não é a primeira vez que a Anistia Internacional faz denúncias dessa natureza e menciona o Brasil como um dos países mais preocupantes, devido ao envolvimento de agentes públicos em diversas modalidades de atos de violência policial. Mas esperamos que esse seu relatório seja o último com informações negativas sobre as nossas instituições do setor da segurança pública. Resta-nos cobrar que, já no próximo documento desse tipo, tenhamos os resultados das recomendações nele contidas e não mais exista o que a entidade chama de ?criminalização da pobreza? quando se refere aos miseráveis e pobres excluídos dos planos de segurança pública.