Opinião
De olhos abertos - Editorial
Segue a pancadaria sobre as ?finanças não contabilizadas? do PT. Nas cordas, o partido do presidente da República continua apanhando sem direito a descanso, pois não consegue esboçar uma reação digna de receber esse nome. O último cruzado no queixo petista é o milhão de reais, que teria sido pago, em espécie, à empresa do vice-presidente da República como parte de um débito por conta de camisetas compradas para campanha eleitoral. E vem mais bomba por aí ? e pancada pesada ? no item Fundos de Pensão. Tão atordoado está o PT, que nem tem conseguido dividir as pancadas com quem lhe teria dado tão brilhantes idéias. No caso do milhão pago a Coteminas, diz-se que foi Valério o pagador, no caso do prejuízo dos fundos de pensão, novamente o nome Marcos Valério é trazido a luz. E ninguém fala mais no início de carreira desse cidadão mineiro ? cadê as investigações sobre a gênese do valerioduto (sob a égide do PSDB do senador Azeredo)? A onda de indignação não pode ter como único alvo uma sigla (ou um grupo de siglas aliadas). Para ser verdadeira, essa indignação deve ser dirigida contra todas as iniqüidades, todos os crimes comuns e eleitorais, todas as movimentações ilegais de recursos e todos os culpados ? sejam de que sigla venham a ser filiados. Nesse sentido, não se pode deixar de lado o conjunto de informações levantadas pelas investigações das várias CPIs quando estas descobrem podridões para além da sigla petista. Esse é o caso do levantamento dos prejuízos causados aos fundos de pensão. O relatório inicial, apresentado nesta terça-feira, pelo sub-relator da CPI dos Correios, indica que o buraco nos fundos de pensão começou a ser cavado ainda no ano 2000, no coração da gestão FHC. A vermelhidão das contas segue na gestão Lula, é verdade, mas o erro de uma gestão não anistia o erro da anterior.