loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Os Francis Drake modernos

Ouvir
Compartilhar

| JORGE BRISENO * O pirata Francis Drake (1543-1596), realizou um dos maiores feitos na política de expansão dos domínios ingleses nos portos espanhóis da América. Seus saques e atos de pirataria, acobertados pelo Império Britânico, contra os navios da frota espanhola e as riquezas naturais das terras então dominadas pela Espanha, ficaram famosos. Suas façanhas ainda hoje são objeto de filmes e documentários. Suas ações contribuíram para que a Inglaterra, mais tarde, transformasse seu Império em um dos mais poderosos do mundo, igualando-se, respeitando as épocas em que ocorreram, ao Império Romano. Francis Drake, o pirata que foi nomeado Cavalheiro e nobre do Império pela rainha Isabel I (1533-1603) da Inglaterra, deve estar revirando-se de raiva em sua tumba ao ver seus atos de pirataria copiados da maneira mais descarada pelos neopiratas que atuam na Amazônia explorando ilegalmente a biodiversidade existente. Os novos piratas praticam a biopirataria, isto é, a coleta de plantas e captura de insetos, microorganismos, besouros, borboletas e outros animais da floresta os quais são vendidos para colecionadores de animais exóticos e grandes laboratórios europeus e americanos. Algumas espécies chegam a ter seu valor monetário aumentado em até 2.000 vezes entre o que é pago aos nativos, responsáveis pela captura e coleta, até a venda no seu destino final. É um negócio da China!!!. Acredito que só perde em lucratividade para cocaína irrigada. Os novos Francis Drake ajudam seus países de origem a sintetizar dessas espécies contrabandeadas, novas drogas, cosméticos, compostos medicinais etc, obtendo patentes desses processos, sem qualquer contrapartida aos países detentores da biodiversidade. Segundo a Universidade de Brasília, a falta de controle governamental em relação ao número de plantas, fungos e microorganismos retirados das matas brasileiras é tão grande que dos 4.000 pedidos de patentes recebidos pelo Brasil entre 1995 e 1999, apenas 3% foram de pesquisadores brasileiros. A nossa biodiversidade está em sério risco. E biodiversidade é o que não falta. Impressiona a afirmação do cientista Edward Wilson em seu livro O futuro da vida. Ele afirma que identificou 43 espécies de formigas na copa de uma única árvore na Amazônia e lembra que esse é o número de espécies de formigas em toda a Inglaterra. Apenas na região do Alto do Rio Juruá, no Acre, os cientistas já registraram 1.620 espécies de borboletas, 300 espécies de aranhas, 64 de abelhas, 140 de sapos, 50 espécies de répteis e 616 de aves. Com toda essa riqueza sendo contrabandeada qualquer dia um destes neopiratas é nomeado cavalheiro por algum governo europeu. (*) É engenheiro e presidente da Casal.

Relacionadas