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Nº 5718
Opinião

A palavra escrita

GILBERTO DE MACEDO * Escrever... gravar no papel ou noutra superfície palavras e frases que expressem um sentimento, uma visão do mundo, uma idéia, um pensamento, um conhecimento, uma reflexão. O ato de escrever, como todos percebem, é de grande importâ

Por | Edição do dia 15/05/2002 - Matéria atualizada em 15/05/2002 às 00h00

GILBERTO DE MACEDO * Escrever... gravar no papel ou noutra superfície palavras e frases que expressem um sentimento, uma visão do mundo, uma idéia, um pensamento, um conhecimento, uma reflexão. O ato de escrever, como todos percebem, é de grande importância na vida das pessoas, individualmente, e da sociedade como um todo. Isso motiva, a quem escrever; fazer perguntas pertinentes e propositadas. Escrever... Por quê? O quê? Para quem? Para quê? Uma palavra, uma frase, um discurso, uma mensagem. Escrever pode dizer um infinito de assuntos, que os mestres discutem e os discípulos aprendem. Por que? Em primeiro lugar, escreve-se por prazer. Quem escreve sente intensa satisfação ao fazê-lo. É como o alívio de uma tensão emocional que impulsiona ao ato, que assim causa alívio e alegria. Por isso, já dizia o notável lingüista, semiólogo e crítico literário Rolland Barthes: “A si mesmo se escreve”. É qual uma determinação vocacional, uma autocon-fissão. Dizer é antes, dizer-se. Escreve-se pelo desejo. Uma necessidade interior que brota com energia indomável; e que não se acalma, enquanto não se faz. O que? Escreve-se sobre tudo, dependendo da imaginação, da criatividade, da motivação, e da formação intelectual de quem faz. Assim, a respeito dos temas universais, de todos os seres humanos: sobre o amor, o sofrimento, a vocação, o ideal, etc. E sobre a problemática existencial na sociedade: os conflitos, as crenças, as ideologias, os acontecimentos sociais. Daí as modalidades de suas apresentações, cada qual com peculiaridades de conteúdo e de estilo: cartas – em tom coloquial e linguagem confidencial; textos literários – com harmonia de expressão e inteira liberdade de dizer, posto que é da imaginação do autor realizar a criatividade da obra em forma estética, neste caso, dizendo-se um escritor: é o domínio da subjetividade. Escrita científica, que atende à objetividade do conhecimento em questão, e se faz, direta e clara. Escrita filosófica, que se estende mais fluente em obediência à lógica do pensamento. E há o escrever cotidiano jornalístico: leve, simples, informativo, sobre os fatos do dia-a-dia, divulgando em forma de notícias. E, ainda, escrever burocraticamente nas instituições públicas, conforme regras e normas regulamentares, leis que, já dizia Blatter: “a frase é a toalete do espírito”. Escrever... Para quem? Para algum possível leitor, com quem se acredita ter afinidade afetiva – capaz de se agradar da leitura – ou intelectual, que se permite enriquecer o pensamento. Um leitor que nem se sabe quem, um desconhecido, anônimo. Mas com o qual, imaginariamente, estabelece-se um diálogo. Diálogo fantástico! E também se escreve para levar uma mensagem afetiva, intelectual, política, religiosa, filosó-fica, científica. Escrever é se revelar, mesmo quando se oculta algo. É de Públio Siso a frase: “A palavra é o espelho da alma”. Escrever... Para quê? Afinal, para, na medida do possível, mínimo que seja, através dos leitores melhorando-lhes a consciência, contribuir para a transformação da Sociedade, e aperfeiçoar a vida e o mundo. Essa a finalidade última do ato de escrever. Em conclusão. Escrever é arte, quando se faz com estética, com belo estilo, como no caso dos escritores. E é técnica, quando se faz vulgarmente, sem criatividade, como no exemplo dos informativos, e, sobretudo, nos formulários burocráticos, e são ditos escreventes. Assim se escreve... Com o coração aberto e a consciência clara. (*) É MÉDICO

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