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O fim do t�nel

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| RONALD MENDONÇA * A preferência ao nome do José Serra - superando Luiz Inácio Lula da Silva - nas pesquisas de opinião encerra generosas doses de ironia e desespero. Apenas 3 anos se passaram desde que o enjoado prefeito de São Paulo foi triturado pela máquina mortífera do Partido dos Trabalhadores numa campanha milionária e criativa, em que não faltaram promessas visionárias (para não dizer mentirosas) avalizadas por decantado patrimônio moral. Na ocasião, José Serra simbolizava tudo aquilo que os brasileiros queriam jogar no lixo: o declínio do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sacudido, dentre outras coisas, pelas denúncias de corrupção nas privatizações e a escandalosa compra de votos no parlamento, que teria garantido a reeleição. Transcorridos os primeiros dias, de cara, descobriu-se que não havia qualquer plano de governo. Aquele filminho no qual apareciam dezenas de pessoas debruçadas em pranchetas fingindo planejar não passava de um golpe publicitário chulo. Certamente foi o primeiro chute na sacola do eleitor. Claro, não se pode dizer que nada se fez nestes 3 anos. Há um controle razoável da inflação, o dólar vem baixando (não sei exatamente o que isso significa), a classe média está pagando mais imposto de renda, a dívida com o FMI será saldada e o Corinthians ganhou mais um campeonato. Outras opções correm por fora: Cristovam Buarque e Heloísa Helena. Buarque, ex-ministro da Educação de Lula e ex-reitor da universidade de Brasília, tem sido relembrado ultimamente por conta da greve dos professores universitários. Sua frase, ?deve-se pensar na função de uma universidade que pára 100 dias?, repetida em alguns editoriais contrários ao movimento, escamoteia, antes de tudo, a própria impotência de, na época, negociar com os professores. Consagrada pela grande imprensa burguesa como a personalidade do ano, a senadora alagoana foi capa de Istoé Gente desta semana. Com ela outras eminências como Bibi Ferreira, Ana Paula Padrão, Gabriel Chalita e Letícia Birkheuer. Com dez por cento das intenções de voto, Heloísa Helena confirma sua intenção de sair candidata a presidente da República. Amante das flores, dos livros e da música clássica, a senadora desponta como uma opção respeitável. Eleita, aposta-se que a juventude e o entusiasmo serão suficientes para encarar o jogo democrático e dividir poder com congressistas que ela costuma desprezar. (*) É médico e professor da Ufal.

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