Opinião
Luta sem fim
| LUCIANO SIQUEIRA * A constante pressão sobre os nomes fortes de Lula, e as repetidas solicitações de depoimentos ao poderoso Ministro da Fazenda me faz recordar algumas tiradas do humor alagoano. Uma dessas ?máximas? se deve a Eduardo Bomfim, ex-deputado constituinte e atual secretário estadual de Cultura de Alagoas (além de ter experimentado quadro dirigente do PCdoB, dono de reconhecida verve). Quando exercia o mandato de deputado estadual, lá pelos idos de 1983-1987, toda vez que se deparava com algum problema de difícil solução ou com um desafio de certa monta, costumava sentenciar: ?A luta é titânica, camarada?, numa alusão ao clássico do bang-bang norte-americano Duelo de Titãs, protagonizado por Kirk Douglas e Burt Lancaster. Firmino, seu motorista de então, de tanto ouvir o bordão, tomou-o para si e, para agradar o chefe, freqüentemente o repetia - só que com uma ligeira (e drástica) troca da última palavra: ?Pois é, deputado, a luta é tetânica!?. Na sua imaginação simplória, trabalho duro e tétano eram uma associação natural... Fosse hoje Firmino motorista do ministro Palocci, bem que poderia dizer: ?Ministro, a luta é tetânica!? Porque é assim que as coisas se apresentam para o ministro da Fazenda nos dias que correm. Não bastasse o estresse de gerir a economia do País conforme o padrão herdado de FHC; que mesmo o fazendo com certa dose de convicção não se exime de contrariedades, vê-se agora obrigado a se explicar face a denúncias de consistência duvidosa, mas de nefasta repercussão. Os vários depoimentos do ministro Palocci (mesmo a detalhada fala na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) não o livrou de novas inquirições. De nada (ou quase nada) serviu a advertência feita, há tempos, pelo senador petista Aloizio Mercadante de que com isso (tanto cerco ao ministro) haveria risco de se desestabilizar a situação do Brasil no mercado financeiro global. Bom, mas aí já seriam outros quinhentos. Porque o caso Palocci, digamos assim, é mais um lance dessa renhida batalha política pelo poder alcunhada de crise do mensalão. Ao colocarem o ministro da Fazenda na linha de tiro, mesmo sem desacordo com a orientação que ele imprime à economia do País (e até considerando a possibilidade de alguma mudança, se o ministro vier a cair), as oposições, lideradas pelo PSDB e pelo PFL, demonstram que desejam ir até as últimas conseqüências na tentativa de minar as condições para uma hipotética tentativa de reeleição do presidente Lula. (*) É vice-prefeito da cidade do Recife.