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Opinião

O PSF que temos n�o � o que queremos

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| SIVAL CLEMENTE * Quando o Programa Saúde da Família (PSF) foi lançado, em 1994, foi lançada também a idéia de uma nova cultura de saúde, uma nova proposta para a atenção básica, na qual a prevenção, a promoção e a assistência básica da comunidade fossem capazes de solucionar os problemas de saúde, antes que estes se agravassem, ou mesmo aparecessem. Dessa maneira, seriam reduzidos os números de internações hospitalares, os índices de mortalidade infantil, bem como seriam otimizados os índices de vacinação e os controles de doenças como hipertensão, diabetes, hanseníase e tuberculose. Nos municípios onde o PSF fosse adequadamente implantado, com profissionais capacitados, estrutura física e equipamentos apropriados, seria possível resolver em torno de 85% dos casos de saúde da população local. Somente 15% dos problemas, considerados excepcionais, seriam conduzidos para unidades especializadas, nos municípios maiores. Em 1996, Alagoas adotou o PSF. Hoje, todos os 102 municípios possuem ESF?s trabalhando em seus postos. Sem dúvida, conseguimos verificar certos avanços, como a queda no índice de mortalidade infantil ou o aumento da cobertura vacinal, entre outros. Os avanços impetrados, contudo, ainda não causam o impacto esperado, ainda não conseguiram verdadeiramente otimizar a saúde pública nos municípios. Em primeiro lugar, os municípios precisam entender que o PSF não é uma fonte de financiamento, e sim um modelo assistencial, concebido para reorganizar a atenção básica e gerar melhor qualidade de vida. As condições inadequadas de trabalho para as ESF?s e o inadequado perfil do profissional para a Estratégia de Saúde da Família são outras questões que comprometem a eficiência das ações. Não devemos, portanto, começar a discussão do PSF nos atendo apenas ao salário de uma categoria. Deveríamos estar debatendo a responsabilidade e o compromisso dos entes públicos envolvidos. Por exemplo, deveríamos estar nos perguntando: por que o Estado não cumpre o seu papel e coloca a sua contrapartida? O Programa de Saúde da Família é fundamental para a melhoria das ações e serviços do SUS. Se, em Alagoas, estivesse funcionando de acordo com suas diretrizes, sentiríamos os reflexos nos indicadores de saúde, sentiríamos seu impacto na qualidade de vida dos munícipes. Não conviveríamos com superlotações em Unidades de Emergências, os profissionais não enxergariam o PSF como um ?bico?. Chegou a hora da reflexão. Chegou a hora de tomar a responsabilidade para si. Estado, Município, Governo Federal. Nossa saúde pública vive sobre esse tripé, mas hoje está apoiada sobre uma única perna. (*) É secretário geral do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas.

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