Opinião
Em prol dos idosos - Editorial
Projeções recentes indicam que, nos próximos 15 anos, o Brasil passará de 10,6 milhões de pessoas com mais de 65 anos (6% do total) para 17,6 milhões (8,8% do total) e também apresentará aumento no contingente da população de mais de 75 anos ou 80 anos. Justamente o segmento mais necessitado de atenções da própria família, da sociedade e das instituições mantidas com o dinheiro público e as da iniciativa privada. Quanto mais idade os idosos tenham, mais ações são necessárias, sobretudo em relação aos problemas de saúde. Há quem afirme, com base numa constatação feita nos Estados Unidos, que um indivíduo gera 70% das despesas com saúde em seu ciclo vital nos últimos seis meses de vida. Como em países como o nosso, expressiva parcela da população é de baixa renda, muito ainda deve ser feito em benefício dessas pessoas. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,7 milhões de brasileiros tinham mais de 60 anos ? quase 10% da população já em 2003. Mais de 30% deles ainda trabalhavam e a maioria era a pessoa de referência na renda familiar. 50% possuíam menos de quatro anos de escolaridade. São números que devem servir para ações mais favoráveis aos idosos. A exemplo de outros que devem ser citados aqui, como os do Índice de Preços ao Consumidor da 3ª Idade (IPC-3i), divulgados em março deste ano, pela Fundação Getúlio Vargas, mostrando que os planos de saúde e remédios foram os principais responsáveis pela alta de 226,14% apurada entre as famílias com pessoas de mais de 60 anos, entre agosto de 1994 e dezembro de 2004, enquanto para o restante da população o reajuste médio foi de 176,51. Como as conseqüências da idade são inevitáveis, cabe-nos cobrar das autoridades atenção cidadã para com a população idosa, pois isso é um direito humano inalienável.