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Nº 5735
Opinião

A devo��o

| GILBERTO DE MACEDO * A devoção é a completa e perfeita espiritualização pessoal. Diz do sentimento mais elevado e sublime do ser humano. É a atitude mais aperfeiçoada de alguém, e que acontece em todas as suas instâncias de vida: no amor, no trabalho,

Por | Edição do dia 28/12/2005 - Matéria atualizada em 28/12/2005 às 00h00

| GILBERTO DE MACEDO * A devoção é a completa e perfeita espiritualização pessoal. Diz do sentimento mais elevado e sublime do ser humano. É a atitude mais aperfeiçoada de alguém, e que acontece em todas as suas instâncias de vida: no amor, no trabalho, no lazer, na convivência e, sobretudo, na solidão, enfim, em todas as oportunidades da vida. Está na mais profunda intimidade da pessoa, por isso inatingível a influências nocivas externas. Daí a razão de Matias Aires dizer: “A devoção não está no joelho que se dobra, mas no coração que não se vê dobrar”. Assim, envolve todo o ser da pessoa. Daí sua inteira e absoluta crença. Donde a definição oferecida por madre Maria Teresa de Calcutá, de que a devoção “é a quantidade de amor colocado naquilo que fazemos, que torna bonita a nossa oferenda aos olhos de Deus”. É assim total dedicação de afeto, de admiração, de apoio a alguém. Envolve-se de valores do bem, realizando-se com sublimação de sentimentos e pensamentos. Diz da pureza da alma. Logo, na devoção espiritual à imagem religiosa, que é infinita. E na vida terrena, voltada para a pessoa amada, e para os que carentes, estão dominados pelo sofrimento: nesse o apoio enlevado da devoção está acima de tudo. Como recita com Sheakespeare: “... Quem sofre sozinho esquece suas raízes,/ Não lembra mais fatos, nem tempos felizes,/ Quando a dor tem irmãos e a angústia amigos/ a alma nem sente inúmeros castigos”. Levar a devoção até aí, é portanto, comportamento de mais sublime religiosidade. Eis que a devoção apóia-se na trilogia religiosa máxima, a saber: fé, esperança e caridade! Nessas, que se realiza a perfeição existencial no mundo, na salvação das pessoas e no ideal da divindade. A fé, que é a certeza absoluta, não cabendo qualquer dúvida. É o que São Bernardo ensina: “a fé compreende o que é invisível; não está escravizada à fraqueza dos sentidos, ultrapassa os limites da razão humana, os hábitos da natureza, a extensão da experiência... Nada mais contrário à fé do que recusar crer no que a razão não pode compreender”. Desse modo, suscita a esperança que conduz a vida, acima dos imprevistos e obstáculos, sobretudo no sofrimento e na carência, na doença e na queda social. Como se vê no cantar do poeta Pope: “A esperança brota eternamente no peito do homem.” Na caridade culmina a devoção. Doar por doar, servir por servir, sem vislumbrar qualquer resposta lucrativa. (*) É médico.

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