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Nº 5732
Opinião

O capitalismo e o Natal

| SÉRGIO COSTA * O neoliberalismo tem sobrevivido sob a retórica de um ideal supostamente indelével, qual seja: o livre mercado é o único remédio capaz de curar todos os males da humanidade. Mas só a realidade é capaz de dissolver os argumentos do orad

Por | Edição do dia 29/12/2005 - Matéria atualizada em 29/12/2005 às 00h00

| SÉRGIO COSTA * O neoliberalismo tem sobrevivido sob a retórica de um ideal supostamente indelével, qual seja: o livre mercado é o único remédio capaz de curar todos os males da humanidade. Mas só a realidade é capaz de dissolver os argumentos do orador hipócrita e provar que ainda temos muito por fazer. Imaginemos, por exemplo, a situação na qual o capitalista investiu em um negócio qualquer. Projetando recuperar seu capital em 5 anos, embutiu no preço de venda os custos, despesas, tributos, custo financeiro do seu capital, além, claro, da margem de lucro ideal para viabilizar o retorno do seu investimento no tempo previsto. O leitor já deve ter observado que a geração de empregos não entra nos planos do capitalista, ocorre meramente por causa da sua “santificada” ambição. Pois bem. Eis que o período natalino aqueceu a demanda. O que fez então o capitalista? Surpresa! Ouvindo os conselhos do seu único “deus”, a usura, aumentou o preço da mercadoria! Diante desse sacrilégio (um verdadeiro atentado, visando arrebatar parcela do 13º salário do trabalhador, diga-se) o governo vem preferindo proteger o consumo, elevando a taxa básica de juros. Mas essa decisão não destrói um dos mais importantes benefícios do capitalismo, qual seja: o emprego?! Perplexos diante desses paradoxos, nossos animais pensantes procuram respostas para as seguintes perguntas: Será que a paranóia pelo curtíssimo prazo ou a descrença nos governantes transformou o capitalista num ateu? Será que juros altos conseguirão impedir que ele aumente seus preços? O Estado deve fiscalizar e punir os abusos? Enfim, deve o povo carregar o capitalismo nas costas? Vamos ajudá-los. Em primeiro lugar, revelar-lhe-ei uma “inusitada” descoberta científico-psicológica, qual seja, somente derrotaremos a fera que dirige o mercado quando descobrirmos o seu raciocínio. E isso não é lá tão difícil. Basta uma paulada de analogia na sua caixa craniana. Observe. A rã transportava o escorpião em seu dorso, mas quando chegou ao fim da viagem sentiu a dor da terrível ferroada. - Você disse que não iria aplicar o ferrão em mim! Exclamou a pobre rã, já enfraquecida pelo veneno. - É da minha natureza, não teve jeito, disse o escorpião. Bem, a dica foi dada. Esperamos que o espírito natalino tenha ocupado os corações dos nossos governantes, a fim de que eles procurem refrear esse instinto para preservar o sistema, que, como vimos, tem imperfeições, mas é inegável que suas virtudes são reconhecidamente profícuas. (*) É contador.

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