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WALMAR BUARQUE * ?Tudo o que pensamos, sentimos e fazemos é motivado pelo interesse em possuir alguma coisa, assim todo apetite, desejo ou aspiração teriam como causa o interesse manifesto ou oculto de possuir o objetivo visado?. Segundo o psiquiatra Jurandir Freire Costa, isto é o que prevalece no ser humano, constatado por todos que vivenciam o dia-a-dia onde estejam constantemente em contato com pessoas carentes, assistidas, e até mesmo nos reality shows temos essa constatação, sem excluir as mais carentes de vergonha e caráter, daqueles que os manipulam. Discutindo o processo de ressocialização e reintegração dos meninos e meninas de rua ficou uma pergunta no ar: O que fazer para acelerar e determinar definitivamente a fixação desses adolescentes na sociedade? E o questionamento passa pelo comportamento, pelas atitudes mesquinhas e medíocres de nossa ?sociedade dita como formadora de opinião?, essa sim, doente, dominadora e excludente, acentua a perpetuação dos menos favorecidos na miséria e no abandono institucional, pois nesta situação será sempre beneficiada nos momentos de que precisa para se manter no poder. Como pode você, que assiste a adolescentes de mais de 17 anos, convencê-los de que agora, a uma altura dessas, devem aprender a ler e escrever, o que não acontecerá em menos de dois anos, se quando conseguirem assinar o nome assumirão a condição de alfabetizados, mas continuarão sendo desqualificados para o mercado de trabalho, que vem sendo cada vez mais exigente na qualificação profissional. Aos 20 anos, alfabetizado e mal assinando o nome, ele até então não possui o mais elementar documento de um cidadão: a certidão de nascimento. Na peregrinação para obter todos os outros documentos, encontra no Judiciário uma barreira ?quase? intransponível para se tornar um cidadão, esse é o caso de mais de 80% dos meninos e meninas de rua. Isto obtido, dependendo de esforços e muita ajuda de pessoas interessadas em sua reintegração à sociedade, ele já estará com 22 anos, semi-analfabeto, desqualificado para o mercado de trabalho, viciado, sem saúde, sem estrutura alguma, ele arruma um trabalho e, finalmente, a oportunidade de sobreviver nesse mundo competitivo e com a esperança de que agora vai começar uma nova fase na sua vida. Aos 24 anos se cadastra e assina documentos, que para ele são o maior dos compromissos, o de deixar aquela vida que há mais de 20 anos levava, a do crime, do vício, da ociosidade. E com um contrato de trabalho que vai lhe remunerar com o milionário salário de 700 reais parte para outro Estado, para trabalhar no campo. Sonhos ele leva e esperança ele deixa aqui, no barraco da grota, para sua companheira e seu filho que, como ele, começa a vida no abandono e no descaso de sempre, do poder público. E foi... E assim se passaram sete longos meses... Depois de várias tentativas de fuga, ele o nosso ?alfabetizado? consegue fugir e retornar como sempre foi, como um marginal, um fugitivo que nada conseguiu durante esses sete longo meses, a não ser dívidas, pois durante período ele ainda não tinha conseguido pagar ao patrão a passagem, a hospedagem e a comida que consumia com o salário de 110 reis que ganhava por mês. Trabalhando 16 horas por dia ele estava exausto e frustrado. De volta, encontra a situação pior, muito pior, pois até mesmo o amor da companheira agora ele havia perdido. ?Tudo que pensava, sentia e fazia era motivado pelo interesse em possuir alguma coisa, assim, todo o apetite, o desejo e a aspiração teriam como causa o interesse manifesto ou oculto de possuir o objeto visado?. Certo de que era esse também seu objetivo, o nosso ?alfabetizado? abandonou sua ex-amada e seu filho na rua, foi para o tráfico de drogas, ?viciou os filhos da sociedade dita como formadora de opinião?, matou, seqüestrou, assaltou e morreu aos 27 anos deixando em seu lugar o seu filho, de 10 anos, que continua abandonado, esquecido e manipulado pela ?sociedade dita como formadora de opinião?. (*) É COORD. PROJETO CATARSE

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