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Nº 5731
Opinião

O enigma nacional

| EDUARDO BOMFIM * Nasceu em 26 de dezembro de 1896 o líder revolucionário chinês, Mao Tsetung, condutor da luta de libertação contra o jugo colonialista e estrategista da transformação econômica, social e política daquele país. Foi um processo tempestuo

Por | Edição do dia 30/12/2005 - Matéria atualizada em 30/12/2005 às 00h00

| EDUARDO BOMFIM * Nasceu em 26 de dezembro de 1896 o líder revolucionário chinês, Mao Tsetung, condutor da luta de libertação contra o jugo colonialista e estrategista da transformação econômica, social e política daquele país. Foi um processo tempestuoso, cheio de idas e vindas, avanços consideráveis e retrocessos deploráveis. Não existe na história da humanidade, experiência com mudanças de tal magnitude, um só exemplo em que as tormentas tenham sido substituídas por bonança. Seja qual for a característica dessas viragens históricas, a terra treme, a luta é sangrenta, injustiças são cometidas e a trajetória é sinuosa, uma trilha desconhecida, perigosa e difícil. A revolução francesa, até hoje se ouvem os ecos da Marselhesa, devorou os seus principais dirigentes para se consolidar como um marco internacional por meio de seu lema: liberdade, igualdade e fraternidade. Várias vezes, a França ignorou esses três belos princípios. Mas eles se consolidaram. Os Estados Unidos tiveram de enfrentar uma guerra civil entre o Norte industrial, próspero e liberal e o Sul escravocrata, aristocrata, latifundiário. Morreram mais combatentes que em qualquer outra guerra onde os americanos se meteram. Alguns historiadores afirmam que houve, de lado a lado, um genocídio particular. No entanto, o resultado desse conflito, vitorioso pelos nortistas, mudou radicalmente a face dos EUA. Tornou-o um país próspero, industrial, “a terra das oportunidades”, como sonham os milhões de imigrantes que lá ainda chegam. Posteriormente, transformou-se em um império expansionista, insaciável. O Vietnã passou séculos lutando contra diversos invasores, chineses, japoneses. Recentemente, décadas atrás, expulsou o colonialismo francês e impuseram uma derrota humilhante aos EUA, liderado por Ho Chi Minh, um homem magro, determinado, gestos simples, sem afetação, parecendo um raquítico Papai Noel asiático. A Rússia czarista, feudal, transmutou-se na segunda maior potência do mundo e depois, declinou e desabou com um baque terrível. A China, no entanto, aprendendo com os seus próprios erros e dos outros, procurou o seu caminho específico. É a nação que mais cresce no mundo, dizem os economistas. Dentro dos próximos vinte anos, atingirá o pódio em primeiro lugar. Seu itinerário continuará cheio de sacrifícios. O enigma chinês, e de todos os demais países, é a questão patriótica, nacional. Que estabelece o destino de um povo. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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