Opinião
Devemos ser moscas e n�o abelhas
| SÉRGIO CRAVEIRO * Estou certo que minha geração não contemplará um estado desenvolvido, notadamente que nosso maior inimigo não é a incompetência na gestão política, seja ela em qualquer esfera hierárquica. Nosso maior inimigo é a quantidade ainda incomensurável de recursos naturais. Certamente que não temos líderes para mover uma revolução, também e a partir dos ?valeriodutos e mensalões? aprendemos que não precisamos de tais personagens em nossa história, precisamos sim de gente comum que possa iniciar um sistema influenciado pelas moscas a fim de gerar competências e visão estratégica lateral, daí surge outro ?pequeno? problema, não temos um plano estratégico de longo prazo, mas temos recursos e competências razoáveis, razoáveis empresários, razoáveis acadêmicos, razoáveis profissionais liberais, ainda uma razoável paciência com a incompetência, o que não temos é uma razoável ambição que possa provocar uma diferença competitiva, para ser exato ainda não conseguimos descobrir quais são os fatores críticos de sucesso que impactarão no nosso futuro. A presente reflexão me leva a crer que para vencer o atual padrão imposto ao longo do exaustivo ciclo da monocultura canavieira, temos de ensejar a matriz agrícola como uma ferramenta ainda necessária, entretanto tenho certeza que ela é o retrato mais contundente de nosso passado, pode crê que não será por meio dela que iremos contemplar o nosso futuro, até porque commodity não gera diferencial competitivo em nenhum lugar do mundo. Por que então devemos ser moscas e não abelhas? Essa reflexão do gênio e grande guru Tom Peters me fez pensar! Formatar um raciocínio simples na busca de uma visão de futuro melhor. Acredito que podemos tirar muito dessa lição ?moscas e não abelhas? e estabelecer quem sabe um contexto melhor para que uma próxima geração venha a viver em um ambiente mais desenvolvido. Caso você coloque numa garrafa meia dúzia de abelhas e o mesmo número de moscas e deitar a garrafa para o horizonte, com a base virada para uma janela, constatará que as abelhas persistirão até morrerem de exaustão e fome, na tentativa de descobrir uma abertura no vidro. As moscas, em menos de dois minutos, já terão saído pelo gargalo da garrafa do lado oposto. É o amor das abelhas pelo vôo, sua própria inteligência que acaba com elas nesse experimento. Elas imaginam que a saída para toda prisão está onde a luz brilha mais e agem de acordo com esse ?raciocínio lógico?. (*) É consultor de planejamento estratégico e marketing.