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| RONALD MENDONÇA * Sob a inspiração de Vaporé e Ogum, o cidadão Robério Alexandre Bavelone, o Robério de Ogum, ocupou as páginas da revista IstoÉ desta semana com peculiares informações. Prática quase obrigatória na imprensa mundial nas edições de fim de ano, no Brasil são favas contadas a presença dessas figuras, digamos, esotéricas, que sob influências as mais variadas opinam sobre o futuro dos povos, a saúde de condestáveis, gravidezes, casamentos e separações de vips, variações do tempo e as glórias e frustrações esportivas. É impressionante o espaço concedido a esses tipos. Credenciado por um currículo de muitos ?acertos? (a morte do papa, por exemplo), e alguns ?furos? homéricos, Robério de Ogum, segundo a revista, é um especialista em futurologia muito respeitado. Levando em conta o grau de crendices que habita o imaginário da população, com certeza deve ser guru de muita gente boa. Em relação a Ogum, em se tratando de uma alta divindade do candomblé, não seria muito estranho admitir poderes (?divinos?) de antever situações. Mais complicado é aceitar que o caboclo Vaporé tenha essa bola toda. De qualquer forma, Robério de Ogum, arriscando o seu prestigiado nome - para alívio do povo brasileiro - assegura que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será reeleito. Em seu lugar, com grandes possibilidades de chegar junto, a senadora alagoana, filha de Iansã, Heloísa Helena, vaticínio que talvez nem a própria senadora bote fé. Numa demonstração de que alegria de pobre dura pouco, Ogum e Vaporé jogaram um balde de água fria no entusiasmo nacional com a Copa da Alemanha: com ou sem o Ronaldinho Gaúcho, a seleção de Parreira vai decepcionar. Quem viver, verá. Por falar em previsões de fim de ano, uma das mais marcantes foi a da entrada de 1960. Naquele ano espalhou-se que os negros iriam virar macacos na virada do calendário. Levando a sério a boataria (houve até marchinha de carnaval), uma parenta ?carregada nas tintas? gastaria muitas garrafinhas de leite de colônia para ver se driblava o destino. A duras penas, o conforto só viria depois que alguém a convenceu de que se aquilo fosse verdade toda a família embarcaria nesse darwinismo em marcha a ré, uma vez que todos tinham, se não na pele, mas pelo menos no sangue as marcas inconfundíveis da mãe-África. Feliz ano-novo a todos. (*) É médico e professor da Universidade Federal de Alagoas.

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