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Opinião

Nos bares da orla

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| MARCOS DAVI MELO * É impressionante o fim de ano em Maceió. Principalmente para quem não interrompe o rítmo de vida e no caminho do trabalho passa pela bela orla de Ponta Verde e da Pajuçara. Desde o meio-dia os bares estão repletos de fregueses que não estão ali para contemplar a paisagem. Estão bebendo. É improvável que como o fazia o escritor católico George Bernanos alguém esteja nos bares para escrever. Ele dizia que a bebida consola; logo o homem precisa ser consolado. Outro escritor G. K. Chesterton, bebia muito e reconhecia que o álcool era um veneno, mas negava que o álcool degradasse o homem, o homem era que degradava o álcool. Humphrey Bogart afirmava que: ?Todo homem está sempre três doses abaixo do normal? e Fernando Sabino, notório consumidor, o contestava: ?Na verdade, bebemos para empatar com o mundo. O mundo está sempre a ganhar da gente, de um a zero, dois a zero... Bebe-se na esperança de igualar o marcador. Uma ilusão, sem dúvida?, mas toda la vida es sueño y los sueños suenõs son, garantía Calderon de la Barca. Baudelaire nos deu um dos mais significativos aforismos para o tema: ?É preciso estar sempre bêbado - de vinho, de poesia, de religião?. É o nosso popular beber para afogar as mágoas. Por isso Ibsen afirmava que era preciso estar bêbado de todas as mentiras vitais: de poder, de luxo, de luxúria, de bondade, de satanismo, de idealismo, de Deus, de violência, de humildade, de loucura, de qualquer coisa. Mas trasnfigurando a canção tropicalista de Caetano Veloso é preciso estar atento e forte que o alcoolismo é uma ameaça permanente. O álcool é tão somente a modalidade social atual do homem fugir momentaneamente de sua realidade trágica: o seu destino inevitável, a finitude. Necessidade que o acompanha desde a antiguidade: nas cerimônias misteriosas da Grécia antiga, consumia-se um cogumelo chamado amanita muscaria que segundo Robert Graves que o consumiu várias vezes, foi o responsável pela força de Sansão e é não só é superior aos nossos melhores vinhos e aguadentes, como nos leva à morada dos deuses. No fundo, é isso que os consumidores habituais tanto procuram: sentir-se um pouco menos atrelados a miserável condição humana e um pouco mais próximos da condição divinal. Mais longe da morte e mais próximos da vida. Velha e trágica ilusão que acompanha o homem desde sempre e que nesta época de efusões sentimentais lota os bares da nossa bela orla. (*) É médico.

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