Opinião
Natal e o ano-novo hoje
| JOSÉ AVELINO NETO * Dentre os pensamentos de Kant, existe um que expressa um ideal de vida muito bonito e interessante: ?Quando nasceste, ao teu redor todos riam, só tu choravas. Procura viver de tal forma que, à hora da tua morte, todos chorem, só tu rias?. A comemoração do nascimento de Jesus Cristo, o Natal, para a qual grande parte da humanidade se preparou, tem forte relação com a essência desse pensamento. A dimensão do sofrimento de Jesus provavelmente O impediu de rir, mas Seu espírito estava em paz, pois tinha certeza de que cumprira Sua missão no planeta Terra. Lamentavelmente, muita gente não dá importância ao significado real do Natal. A grande preocupação e ansiedade pela festa são os presentes, as comidas e as bebidas. É uma efervescência com pouco a ver com a verdadeira comemoração do nascimento do Menino Deus. Desse modo, como comemorar isso se os homens, em sua maioria, vivem a praticar um monte de maldades e desrespeito geral, agredindo, matando, humilhando, enganando e roubando uns aos outros, achando-se infalíveis, invencíveis, super-heróis e até imortais e ainda, julgando-se os verdadeiros donos da natureza e com o direito de destruí-la? Na semana seguinte, vem a Confraternização Universal, duvidosa confraternização, na qual todos se abraçam, brindam e gritam ?Feliz ano-novo!? Que pena! Acabaram as festas, começou de fato o novo ano e pouco ou quase nada mudou: já no início alguns põem as garras de fora, atropelando, prejudicando, humilhando, agredindo e por aí vai... Para mudar, para termos realmente um Natal de puras alegrias e um feliz ano-novo, seria necessário que: não se humilhasse mais ninguém; não se agredisse mais ninguém; não se matasse mais ninguém; não se enganasse tanto as outras pessoas; ninguém se apossasse do que não é seu realmente; a educação, a cortesia e o respeito fossem as grandes armas de todos; não se jogasse lixo nas ruas, nos córregos, nas lagoas, no mar, nos rios e nas areias das praias; respeitassem as leis e principalmente, as leis de trânsito para não machucar nem matar o próximo; respeitassem o direito de cada cidadão, praticando a verdadeira ética. Pode-se dizer que se tudo isso e mais alguma coisa de mesmo teor se concretizar, certamente muitos e reais natais e muitos e reais anos-novos. (*) É profesor do curso de Administração da Ufal.