Opinião
Cana-de-a��car: advert�ncia e convite � mobiliza��o
| JOÃO LYRA * A safra de cana-de-açúcar de Alagoas alcançará cerca de 22 milhões de toneladas no período 2005/2006, 23,6% menor do que a de 2004/2005 (28,8 milhões de toneladas), redução superior à esperada para o Nordeste (19,6%). A persistente seca que atingiu o nosso Estado levou-nos a essa situação, que implica adversidades e conseqüências socioeconômicas de grande porte. A mais importante é o desemprego que deixará, já a partir de janeiro de 2006, cerca de 30.000 trabalhadores sem suas ocupações no corte de cana, além de expressiva diminuição no recolhimento de impostos, inclusive ICMS, e nas transferências previstas na Kandir. Como a seca é um fenômeno de alta complexidade social, cabe a todas as entidades privadas e públicas empreenderem forte mobilização para enfrentar, organizadamente, esse grave desafio, que agora se repete. Pesa em nosso favor a vontade de assistir as famílias desses trabalhadores e que venham a ficar sem nenhuma renda até que se inicie a safra 2006/2007. Ao par dessas iniciativas ? cujo detalhamento deveria ficar a cargo do governo estadual e das prefeituras, com a colaboração dos demais atores sociais ? é imprescindível desenvolver-se intensa pressão sobre o governo federal para ajudar Alagoas nessa difícil conjuntura. O Ministério da Integração Nacional dispõe de condições para dar suporte a ações de emergência, bastando, para isso, que lhe sejam colocadas e dimensionadas as necessidades de recursos materiais e humanos. Por outro lado, o empresariado agroaçucareiro deveria exigir da União o cumprimento da lei relativa aos recursos da equalização dos custos da cana e do açúcar, cujo último pagamento ocorreu em dezembro de 2001. Hoje, o Nordeste tem um crédito de R$ 828 milhões, metade dos quais devida a fornecedores e industriais de Alagoas. A circulação da massa de salários no comércio das várias cidades, que dependem diretamente da atividade sucroalcooleira para sua sobrevivência, significará vigoroso passo para que evitemos uma crise social de intensidade e efeitos imprevisíveis. Independentemente de cor partidária, as forças políticas de Alagoas têm responsabilidade sobre o que vier a acontecer, razão por que as convido a jogar o papel que lhes cabe nesse episódio. Por isso, é oportuno e politicamente correto que se sentem e discutam o assunto, porquanto, acima de interesses outros, pairam sobre todos nós a preservação de bens maiores do que tudo: a vida e a dignidade de milhares de alagoanos. Vamos agir em união, antes que sejamos atropelados pelos fatos. (*) É deputado federal (PTB-AL).