Opinião
S�mbolos - Editorial
No apagar das luzes do ano de 2005, Maceió teve escolhido mais um símbolo: melhor dizendo, a ?árvore-símbolo? da cidade. E o coqueiro foi eleito. Eleito democraticamente, o coqueiro, porém, decepcionou os de sentimento mais nativista, pois essa palmácea não é filha natural da terra brasileira, tendo sido importada da África (outros pesquisadores apostam na origem asiática da planta) nos primórdios da colonização. Palmáceas nativas do solo maceioense seriam aquelas que produzem o coco catolé, ou ouricuri, mas o vegetal sufragado foi o longilíneo coqueiro, morador secular de nossas praias desde quando para aqui foi trazido. A escolha pode também ter respondido à memória iconográfica maceioense, donde o consciente coletivo teria ficado para sempre marcado pelo sucesso insuperável do Gogó da Ema, o retorcido coqueiro vivente da então deserta praia da Ponta Verde, que se constituiu no mais conhecido símbolo de Maceió. Ou talvez tenha nos homenageado como gente alagoana, pois somos produto de uma miscigenação na qual dois terços dos componentes genéticos não são nativos (europeus brancos e negros africanos), como o eram os Caetés ? dos quais herdamos o nome da cidade, Maceió. O essencial é que, com ou sem árvore-símbolo oficial, os poderes públicos possam dar a devida atenção à natureza, cuidando de recuperar nossa flora e nosso ecossistema como um todo. Fundamental ainda é que o correto uso de um símbolo como elemento de marketing possa auxiliar a divulgação do destino Maceió, no sentido de auxiliar Alagoas a reconquistar seu devido lugar entre os destinos mais desejados do Brasil no mercado turístico. Que seja bem-vindo o coqueiro, novo símbolo da capital alagoana, que frutifique e se multiplique em empregos e renda para o nosso povo.