Opinião
Fazer a hora... (para Juliana)
| GILBERTO DE MACEDO * Fazer a hora sim, como diz a música popular: ?Caminhando e cantando, e seguindo a canção. Vem; vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer ...? Fazer a hora, ainda, pois é do ser humano normalmente, a disposição para caminhar para a frente, tecendo o seu projeto de vida. Para isso, é dotado de imaginação e inteligência para desejar e realizar. Fazer a hora, então, para construir o seu mundo, realizar o seu ideal, concretizar a sua criatividade. Fazer a hora, portanto, que é de sua missão, em forma de iniciativa a serviço de sua felicidade. Jamais permanecer estático, passivo, de braços cruzados, à espera de que as coisas aconteçam, e o tempo passe, numa atitude apática, indiferente ante o drama da vida; mas ativo sim e original. Pois, como já dizia Rabelais: ?Nunca me tenho sujeitado às horas; as horas são feitas para o homem, e não o homem para as horas.? Sim, ?fazer a hora?, pois o ser humano é dotado de uma estrutura corporal e organização mental que o leva ao encontro do ambiente e da sociedade com iniciativa para se ajustar e gerar uma nova realidade que lhe seja favorável. Fazer a hora, conseqüentemente, é ato de sabedoria e atenção diante da evolução dos comportamentos pessoais e dos acontecimentos sociais, tudo isso com vistas ao bem-estar individual. Fazer a hora com inteligência clara e cultivadora para não se atropelar nas estradas do futuro. Fazer a hora com vontade firme para não desistir ante os obstáculos, que são tantos. Obstáculos que estão dentro de si mesmo, sem que se saiba, e sobretudo, os que decorrem da má conformação da sociedade. Fazer a hora, continuando, com equilíbrio emocional para não se desgastar numa luta árdua em vista dos acontecimentos frontais comuns no dia-a-dia do percurso. Fazer a hora, afinal, com o pensamento alerta da autocrítica para não cair nos desequilíbrios dos excessos. Fazer a hora, antes de tudo, guiando-se pela boa e rica imaginação para criar motivos estimulantes de marcha, feita a partir do desejo. Fazer a hora, pessoal, íntima, acima e independente da hora física, cronométrica, do mundo externo. É construir o próprio destino e realizar os sonhos de felicidades. Fazer a hora, por fim, em todas as instâncias da vida. (*) É médico.