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Na berlinda - Editorial

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Com justas e apropriadas razões, o Congresso Nacional brasileiro tornou-se alvo de críticas generalizadas. O mote, nestes dias, é a tênue presença dos parlamentares durante as primeiras sessões do atual período de convocação extraordinária. Esta, por si só, geraria controvérsia, como ocorreu em outras oportunidades em que nossos congressistas decidem pelo ?trabalho? extra. Tudo isso para fazer o que deveria ter sido feito ao longo do ano. Sentindo a cobrança, o presidente da Câmara dos Deputados se propôs a por em discussão (e votação, lógico) duas questões emblemáticas: a limitação dos salários extras e a redução das férias parlamentares. Serão duas medidas corretas e, se aprovadas, repercutirão positivamente. A cidadania agradecerá. Essas duas medidas moralizadoras, porém, chamam mais a atenção pelos longos períodos de improdutividade das casas legislativas (exceção quando se trata de aprovar tributos, pois nesse caso a produtividade é altíssima). Caso o Congresso tivesse apresentado resultados insofismáveis - como a aprovação das reformas políticas - indispensáveis e cumprido sua pauta de votações, além de (especialmente) ter oferecido conclusões objetivas em suas muitas CPIs, poucos criticariam a extensão das férias parlamentares e talvez até a multiplicidade dos rendimentos tivesse causado comoção menor. Mas, com parcos resultados práticos a apresentar, poucas respostas dadas, o Congresso retorna à berlinda. Seria bom que os rumos fossem corrigidos com rapidez, pois todos perdem com a desmoralização, com o desprestígio do Parlamento. Com esse desgaste, a democracia perde, avilta-se. Que as medidas anunciadas tornem-se realidade, que a pauta prometida seja votada. Que o Congresso cumpra seu papel de base e representação da cidadania. Seriam essas mais esperanças vãs?

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