Opinião
Promessas - Editorial
Na sua primeira visita oficial a Alagoas, o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, admitiu a defasagem existente dos valores pagos pelos serviços prestados pelos hospitais e ambulatórios à maioria da população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalte-se que essa defasagem castiga estados como Alagoas há muitos e muitos anos. A autoridade prometeu soluções para este problema e de uma série de outros. O tom lembrou os palanques, mas sempre restam esperanças de que promessas sejam cumpridas ? afinal o Brasil continua sonhando com uma política de saúde pública ?gratuita e de qualidade?, como estabelece a Constituição. A defasagem referida pelo ministro se manifesta na disparidade da distribuição dos recursos do SUS aos estados. As melhores remunerações são destinadas aos estados mais ricos (localizados no Sudeste), enquanto os estados mais sofridos (como os do Norte e do Nordeste) recebem os pagamentos mais minguados. A crueldade desta discriminação está evidenciada no fato de que os mais necessitados são aqueles que menos recebem recursos. Ilhado num público que sente na pele a crueza dessa discriminação, a ministerial autoridade não se fez de rogada: reconheceu a injustiça e prometeu soluções. Tomara que tudo ocorra como o ministro assegurou. A eqüidade no tratamento é uma velha esperança das regiões mais empobrecidas deste vasto País. No caso alagoano, cerca de 90% da população é forçada a buscar tratamento no SUS, por absoluta falta de opção. Sempre é tempo de corrigir tão antigas injustiças e, mais uma vez, a população pobre de Alagoas pode sentir-se confortada pelas palavras ministeriais. Enquanto isso, seguimos esperando o cumprimento dessas promessas saudáveis. Com ano eleitoral aí, nunca se sabe o que pode ocorrer no Brasil.