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Entra ano, sai ano...

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| Marcos Davi Melo * A classe média se deparou, nos primeiros dias do ano, com mais um reajuste salgado de preços. Desta vez foi o álcool combustível que subiu mais que a gasolina e tornou a mistura indigesta. Diante da grita generalizada, o governo ameaçou reativar a prática de um velho costume que parecia estar enterrado: o controle de preços. Mas falta-lhe respaldo e isenção para pôr isto em prática. Porque todo mundo sabe que o maior responsável pela inflação é o próprio governo, que reajustou os preços dos seus produtos e dos procedimentos que tem sob seu controle em 3,5 vezes, nos últimos dez anos. As tarifas de energia elétrica, ônibus, gás, telefone, água, entre outras, tiveram um reajuste médio de 339%, enquanto a inflação no período foi de 93%. Só para lembrar os que criticam a medicina praticada para o SUS, pelos hospitais e médicos conveniados, recordemos que os reajustes dados pelo governo, neste mesmo período de 10 anos, para procedimentos complexos e onerosos, como as cirurgias cardíacas e os tratamentos de câncer, foram em média de míseros 10%. Sim, o governo aumentou os seus preços em 339%, mas quando foi para pagar quem lhe presta serviços ininterruptos, sem greves e com qualidade, o reajuste que concedido foi de 10%. Daí fica fácil entender porque 95% das Santas Casas no Brasil estão falidas. Enquanto isso, o planalto propaga que tem 30 bilhões de reais para investimentos neste ano, mais do que o dobro do ano passado e nem se dá ao cuidado de afirmar que esta dinheirama não tem nada a ver com a eleição, mesmo porque ninguém acreditaria. Alerta para a situação, um solitário deputado das Alterosas, Rafael Guerra, gritou que o mesmo governo que acena com tanta grana tenta insidiosamente retirar recursos da Saúde para direcioná-los para ações assistenciais clientelistas que, na prática, podem render maiores dividendos eleitorais, o que somando aos 30 bilhões torna a reeleição de Lula uma possibilidade real. Fica inevitável concluir que problemas graves, como a saúde, continuarão sendo mais importantes nos discursos políticos que na prática. Na prática a situação da saúde no País continuará crítica. Entra ano, sai ano, entra governo, sai governo e as questões sociais como a saúde pública se agravam. A favor do atual governo reconheça-se que o problema não é novo, Serra que cresce nas pesquisas fez muito marketing, mas, no âmago, a questão em sua gestão foi tratada da mesma forma. Nesta questão, a classe média não se abala, quem sofre é a sua doméstica que precisa do SUS. (*) É médico.

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