Opinião
Corre��es de rumo
| Humberto Martins * São indisfarçáveis os progressos registrados em alguns setores da vida brasileira no ano que passou. Progressos principalmente na área econômica, que se refletem positivamente em outros setores. Tais como aumento das exportações e redução da inflação. Na iniciativa privada, a diferença entre os maiores e os menores salários, umas das razões da concentração de renda, está diminuindo. Embora tenha havido uma redução de renda no número de trabalhadores que ganham remuneração maior, entre os que têm menor rendimento, ocorreu uma melhor distribuição. Os que tinham renda mais baixa tiveram uma elevação, houve crescimento nos salários, o que resultou numa melhor distribuição de renda. A maioria dos trabalhadores brasileiros com carteira assinada ganha até três salários mínimos, tem baixa escolaridade e está com idade entre 30 a 39 anos. É predominantemente do sexo masculino (60%), exerce funções no setor de serviços (31,7%), na Região Sudeste (52,1%). Essas são as principais informações constantes do perfil da maioria dos trabalhadores formais brasileiros, de acordo com o estudo divulgado recentemente pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). A base documental do trabalho é a Relação Anual de Informações Sociais do Ministério (Rais). Só foram analisados agora, e comparados com estatísticas anteriores, os números de 2004, mas eles revelam um aumento de 8,7% no número de trabalhadores com carteira assinada, e a escolaridade também melhorou. A produção dos que recebem acima de três mínimos caiu, entretanto, de 41,7% para 35,5%. Mas na parcela até três salários mínimos aconteceu um aumento, de 58,1% para 64,2%. A melhoria da renda média dos trabalhadores não é um avanço que possa ser assinalado apenas pelo crescimento econômico. Depende igualmente da evolução das condições de desenvolvimento social, principalmente do fator educação. Os indivíduos não precisam apenas ganhar melhor para que invistam nas suas reais prioridades, tais como alimentação, educação, saúde, habitação e demais fatores que influam na real melhoria das condições de vida. Pelo que se viu durante a maior parte do ano de 2005, no Brasil, isso está ocorrendo, embora não nas proporções desejadas pela maior parte da população. São necessárias correções de rumo e um maior empenho das lideranças de todos os setores públicos e privados, o que só será alcançado com a vigilância da opinião pública e a plena liberdade de informação, que felizmente já existem. O nosso objetivo para 2006 é atingir o rumo certo. (*) É desembargador do TJ/AL