Opinião
Desafios em dia - Editorial
Dados divulgados nos últimos dias do ano passado, com base em um levantamento do Congresso Nacional, mostravam que, até então, o governo federal, por meio do Ministério da Justiça, aplicara apenas 5,5% dos mais de R$ 400 milhões destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública em 2005. Ao mesmo tempo, um Relatório da Anistia Internacional, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciava a não implementação das ações previstas no Plano de Segurança Pública lançado no atual governo, e atribuía esse fracasso aos contingenciamentos da maior parte dos recursos para o setor. Números recentes publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outros órgãos especializados em estatísticas falam na redução de problemas no campo social como a pobreza, enquanto um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), indica o aumento da dependência dos programas sociais do governo de considerável parcela da população mais pobre, mesmo com a diminuição da distância entre ricos e pobres verificada no período citado no levantamento (1991 a 2004), e mostra que essa melhoria em termos de diminuição não foi gerada pela dinâmica da economia. Segurança e pobreza, portanto, terminaram sendo os maiores desafios que devem ser enfrentados ao longo deste novo ano, justamente quando o governo federal, a começar do presidente, e os governantes nos estados e os legisladores nas assembléias estaduais e nas duas casas do Congresso Nacional, passam a dedicar suas atenções maiores ao futuro de seus mandatos. E deverão ser discutidos por muito tempo ainda. Como se vê, há questões urgentes nas mãos de nossos congressistas a serem resolvidas. Espera-se que o bom senso - tão raro hoje em dia - possa prevalecer em momento de tamanha gravidade.