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Nº 5730
Opinião

De olho nas elei��es

| Anilda Leão * As eleições já estão dando sinais de largada, quando os políticos, assanhados, promovem encontros quase sempre na base dos comes e bebes para arranjos, especulações e conchavos como sobremesa. E nós, cá do lado de fora, ficamos a nos pe

Por | Edição do dia 13/01/2006 - Matéria atualizada em 13/01/2006 às 00h00

| Anilda Leão * As eleições já estão dando sinais de largada, quando os políticos, assanhados, promovem encontros quase sempre na base dos comes e bebes para arranjos, especulações e conchavos como sobremesa. E nós, cá do lado de fora, ficamos a nos perguntar se eles estão ali preocupados com os destinos do País ou apenas de olho no seu próprio bem estar e na grana que recebem (muito além das possibilidades de um País tão desigual). Desde que me entendo de gente, observo que a politicagem no Brasil é a mesma, parece que nada muda. Com o agravante de que hoje em dia a situação parece ser bem pior no que se refere à qualidade dos nossos chamados homens públicos – hoje muito mais aferrados ao poder, capazes dos maiores malabarismos para se manter no desfrute das mordomias – cada vez mais esquecidos de que quem os elege é uma gente humilde, espoliada, esfomeada, desempregada, que se multiplica pelas grotas e favelas, virando, muitas vezes, marginais, por absoluta falta de opção de vida ou de oportunidade. A violência – não só aqui em Alagoas, mas em todo o País – adquire cada vez mais ares de uma guerra não declarada. Homens e mulheres de bem já têm medo de ir a um cinema ou restaurante e trancam-se em suas casas cercados de todo um aparato de segurança; adolescentes tornam-se as maiores vítimas de outros adolescentes, esses tornados marginais pelos bandidos mais velhos e pela falta de perspectiva e de futuro; comerciantes se enjaulam em seus estabelecimentos ou fecham suas portas mais cedo por temerem a ação dos bandidos. Quem poderá dar fim a esse estado de coisas? Políticos se assanham diante das eleições, e é um direito deles. Mas é um direito nosso, dos eleitores, exigir uma maior seriedade na condução das políticas públicas, principalmente no que se refere à educação dos nossos jovens e ao enfrentamento das causas da atual onda de violência. Isso antes que entremos de vez numa verdadeira guerra civil. As eleições estão chegando e os conchavos também. Ninguém de bom senso pode pensar que não vai haver compra de votos ou caixa dois nas campanhas. Afinal, isso é coisa mais velha que o próprio arco da velha, não me venham dizer que foi inventado por esse ou aquele governo. Já tenho idade o suficiente para afirmar isto, como também para sentir saudade dos meus tempos de juventude, quando pude acompanhar de perto a atuação de uma verdadeira plêiade de políticos verdadeiramente comprometidos com os destinos do nosso estado, do País e, principalmente, comprometidos com o povo brasileiro. (*) É escritora, poeta e atriz

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