Opinião
Os Lulas da vida
| Mario Jucá * Não precisa se fixar no trágico momento de arrependimento que o povo atravessa, por ter optado pela incompetência, diante do momento de total descrença nos ilustres acadêmicos, sociólogos e outros ícones do exílio, fervorosos freqüentadores das embaixadas e dos bons cafés de Paris. Não precisa ficar olhando com o olhar perdido no horizonte para você identificar o Zé Ninguém de Reich, olhem aos seus redores. Observem pessoas voluptuosas pelo poder, que quando o alcançam de maneira qualquer que seja, comportam-se como cão veiúdo, ora está raivoso, ora está manso, porque na realidade não tem consciência de como se comportar no cargo que ocupa. Esperar competência de pessoas que vivem de rompantes decadentes, não pode ser caminho, só se for de volta. O Homem precisa veementemente buscar o caminho do crescimento coletivo, da igualdade, da justiça e da ética, pilares de uma sociedade cidadã. Os Lulas da vida estão em todas as partes, trejeitam discursos vazios e demonstram carapaças, que eles mesmos não agüentam mais representar. É terrível o estado de putrefação intelectual, quando o conhecimento de ontem não passa de um forte instrumento de empecilho para o amanhã. A produção é uma máscara sofista para manutenção de uma crença que apenas meia dúzia de bajuladores, ainda piedosos, mantêm o estímulo, com medo da morte do trapo, que pode representar uma queda para um grupo do nada. Preocupações permeiam os micro e os macroambientes. Desde o convívio corriqueiro como pessoas desinteressadas, até o convívio de máximo interesse, como é o na academia, onde são formados os futuros profissionais que comandarão o estado de perpetuação, maravilhoso estado de vida. É triste constatar que a maioria já é de egressos deformados pelo sistema, a politicagem invadiu os pólos formadores e o produto não poderia ser outro, um bando de malformados. Temos preocupações ainda com os alunos que parecem passivamente acompanhar um comboio sem destino, e a força decisória do sistema comprometida pelos acordos e amedrontada com o fantasma da perda do poder. ?Tá tão bozinho! Onde vamos chegar, meus caros leitores? Quem vive o lulismo como prática diária, a incompetência arrogante, pobre de ação e rica de discursos eivados de erros e equívocos gramaticais e conceituais, e mais ainda, ameaçadores. E o medo do amanhã? É grande. E quem virá substituir tudo isso que está aí? (*) É médico e professor da Ufal.