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Opinião

Problemas graves

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| Humberto Martins * Os ingleses dizem, há priscas eras, que boa notícia não é notícia. Em trocados: as boas notícias não chamam a atenção e por isso aparecem menos do que as más. Talvez por isso o esforço nacional para criar alternativas para os combustíveis não receba o merecido destaque. Esforço que aliás está sendo desenvolvido agora também por grande número de nações. Nas décadas de 40 e 50 do século passado, quando nosso País dependia totalmente da gasolina importada, o álcool foi usado como alternativa para a crise de abastecimento, provocada pela Segunda Guerra Mundial. Foi usado de maneira improvisada e precária, mas de qualquer maneira contribuiu para minorar as graves dificuldades de abastecimento de combustível da época. Na década de 70 do século passado, a opção pelo álcool se fez sentir de maneira mais enérgica. Os automóveis a álcool dominaram quase totalmente o mercado, atingindo metade das vendas de veículos novos. Um conjunto de erros, entre os quais o principal foi a falta do produto nas bombas, em face de controvérsias sobre preço, praticamente anulou os esforços alcançados, mas há cerca de dois anos o consumo de álcool hidratado retomou seu ímpeto, enquanto a mistura do combustível vegetal à gasolina garantia a estabilidade da produção alcooleira. Os carros bicombustíveis e o começo da produção do biodiesel consolidam agora as alternativas brasileiras de energia líquida, contrastando aliás com a produção de eletricidade, que continua dependendo da geração hidroelétrica. As reservas de petróleo deverão se extinguir até o fim deste século, lembra o físico Alan MacDiarmid, Prêmio Nobel de Química, que participou em Brasília da 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para ele, ?o mundo está exaurindo a energia. Haverá um momento em que o petróleo, o carvão e o gás se acabarão?. Ele defendeu o biodiesel e o álcool como uma tecnologia limpa. E aponta as transformações energéticas, o problema do abastecimento d?água, a escassez de alimentos, os problemas de meio ambiente, pobreza, terrorismo e guerra como alguns dos mais graves problemas mundiais nos próximos 50 anos. Embora ocorram, periodicamente, fatos novos que mudam a situação econômica e energética, essa é uma advertência que merece ser ouvida. O esgotamento das reservas tradicionais de energia é um problema grave, que deve ser enfrentado sem demora. (*) É desembargador do TJ/AL.

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