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Nº 5736
Opinião

Com o f�gado na cabe�a

| Fernando Barreiros * O brasileiro tem a mania de achar que qualquer “empachamento, barriga inchada, dor de barriga”, náuseas, tonturas e até mesmo mau humor é problema de doença hepática. Eventualmente pode haver até algum nexo causal entre as queixas

Por | Edição do dia 19/01/2006 - Matéria atualizada em 19/01/2006 às 00h00

| Fernando Barreiros * O brasileiro tem a mania de achar que qualquer “empachamento, barriga inchada, dor de barriga”, náuseas, tonturas e até mesmo mau humor é problema de doença hepática. Eventualmente pode haver até algum nexo causal entre as queixas acima e uma hepatopatia, normalmente, porém, as causas de tais sintomas estão mais correlacionadas a distúrbios digestivos outros, como gastrites, esofagites e síndrome do intestino irritável. As patologias hepáticas são, em sua maioria, “silenciosas”, exceto quando ocorre icterícia e ascite, que são facilmente observáveis. Contudo, nos últimos anos ficou bastante evidente a necessidade de um estudo mais aprofundado do fígado de pacientes obesos (e mesmo dos portadores de sobrepeso), hipertensos, diabéticos, dislipêmicos que fazem parte de um grupo denominado de portadores da síndrome pluri-metabólica. Os pacientes acima citados têm uma tendência de infiltração de gordura no fígado, conhecida como Esteatose Hepática, que pode evoluir a médio e longo prazo para cirrose hepática e até para um hepatocarcinoma. São situações graves que têm sido diagnosticadas com uma freqüência cada vez maior. Para os grandes bebedores de bebidas alcoólicas, os riscos são acrescidos e a necessidade de um check up de enzimas hepáticas e exame de ultra-sonografia são imprescindíveis. Quanto às hepatites, temos um verdadeiro capítulo a parte, mas é imperativa a necessidade da vacinação contra a hepatite B, doença de evolução insidiosa e de difícil tratamento na sua forma crônica. A hepatite causada pelo vírus A, é de longe a mais freqüente, também evitável por vacinação, contudo seria muito mais racional evitá-la através de obras de saneamento e melhora das condições higiênicas. No tocante à hepatite C, o índice de indivíduos que se mostraram reagentes, em coletas de sangue promovidas pela OPAS/Ministério da Saúde na cidade de Maceió entre o final de 2004 e a metade de 2005, evidenciou uma taxa alarmante de positividade em torno de 2% da população, algo como cerca de 16000 pessoas em nossa capital devem estar contaminadas com este vírus. É do nosso conhecimento que nos últimos 5 anos pouco mais de 500 pessoas receberam o tratamento adequado para esta patologia, restando portanto, mais de 15000 maceioenses a serem diagnosticados e tratados. Todos aqueles que até 1993 tenham feito uso de sangue ou hemoderivados, devem realizar testes específicos para afastar a possibilidade de estarem contaminados. (*) É médico gastroenterologista e hepatologista

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