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Nº 5731
Opinião

E l� se foram os nossos US$ 15,5 bilh�es!

| Sérgio Costa * Recentemente, o atual governo pagou uma dívida de US$ 15,5 bilhões com o FMI. Por essa façanha está deveras radiante e cantando loas pelos cotovelos. A oposição, comprometida até os dentes, “guardou a língua na boca”. Nota-se claramente

Por | Edição do dia 19/01/2006 - Matéria atualizada em 19/01/2006 às 00h00

| Sérgio Costa * Recentemente, o atual governo pagou uma dívida de US$ 15,5 bilhões com o FMI. Por essa façanha está deveras radiante e cantando loas pelos cotovelos. A oposição, comprometida até os dentes, “guardou a língua na boca”. Nota-se claramente que os representantes não estão nem aí com os problemas dos representados. Nem parece que essa dinheirama poderia resolver grande parte dos nossos problemas sociais. Mas será que as ações do FMI poderiam atenuar os efeitos perversos da miopia política? O FMI é constituído por reservas monetárias (dinheiro do contribuinte) de vários países, inclusive do Brasil, e consta, no rol de seus objetivos, que ele pode socorrer sócios em dificuldades financeiras. Ora, se o DNA do FMI carrega compromissos sociais, é inegável que ele deveria praticar medidas econômicas no sentido de, pelo menos, tentar defender o seu único e verdadeiro devedor: o povo. Mas isso não ocorre porque ainda não estamos preparados para punir nossos predadores. Há conformismo e frouxidão, há desleixamento cívico, campo farto para o deleite das ervas daninhas. Quando elas devoram as receitas públicas para atender aos apelos da corrupção e dos privilégios, o país para de criar e produzir. Afloram-se as vulnerabilidades externas e o gigante entra em crise. Aí surge a única e insofismável solução: o FMI. Quando ele aceita o desafio, a dura realidade nos faz sonhar com a esperança dos tolos: quando aqui chegar, o FMI vai à televisão explicar que o Brasil é rico e viável, mas mal administrado e subtraído. Devaneamos com o improvável: claro que ele vai exigir superávits primários, mas eliminando gastos estéreis. A razão cede lugar aos desvarios: desta vez o FMI vai cobrar aplicações em educação escolar e saúde pública, a fim de melhorar nossa qualidade de vida. Sim, ele vai exigir investimentos em infra-estrutura, ciência, pesquisa e tecnologia, pois, não sobra dúvida de que esse conjunto de medidas estimularia o crescimento e a distribuição de renda em todas as regiões do nosso País. De repente a gente acorda e vê que não são esses os meios de que ele se utiliza para garantir o recebimento do seu empréstimo. Vem aqui o FMI, não para aplicar inseticida nas nossas pragas antropófagas, e sim para protegê-las e alimentá-las com o suor e o sangue do nosso trabalho. Não é engraçado! Vai-se o FMI levando os nossos US$ 15,5 bilhões. Pior: levando os nossos sonhos. Mas as causas e as conseqüências que nos levaram a contrair o empréstimo permanecem imutáveis! (*) É contador.

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