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De gravata eu respeito

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| Eduardo Bomfim * Há alguns anos atrás, Jô Soares, entre vários quadros, fazia um personagem funcionário de um banco. Quando notava, na fila em que atendia, um sujeito de terno e gravata, mandava-o adiantar-se e o recebia de pronto. Diante da reclamação irrestrita de todos os injustiçados, respondia sem pestanejar: de terno e gravata eu respeito. O Irã, considerado como pertencente ao ?eixo do mal? por George Bush, resolveu violar acordos de não proliferação de armas atômicas. Seu presidente lançou petardos em forma de discursos contra Israel e os EUA. Logo surgiram violentas reações contra a referida nação. O mundo ia cair sobre a cabeça deles. As ameaças declinaram, por enquanto, na medida em que o alto mandatário iraniano persistia em tom cada vez mais agressivo e mantinha o seu intento de fabricar bombas atômicas. Daí, arrefeceram as denúncias. Começaram os tons menos agressivos e mais moderados. A Rússia entrou em campo como mediadora do conflito. Moral da história: o Irã é o homem da gravata do programa do Jô Soares. Na França existe uma antiga livraria inglesa, na rua de Rivoli, tão velha que proclama em letras garrafais: ?a primeira livraria em inglês no continente?. Há algo muito errado nisso tudo. Porque nós todos subentendemos que se trata da primeira livraria fora da Grã-Bretanha? Salvo equívoco nos atlas geográficos, a Grã-Bretanha é uma ilha. Uma grande ilha, é verdade. O continente pode ser a velha Europa, a América do Sul, ou de resto todo o planeta. Hoje e à época em que ?o sol nunca se punha? no grande império britânico. Perdoem-me os sisudos e amados súditos da rainha, mas a empáfia é muito escancarada ou, se quiserem, risível. Finalmente, o noticiário proclama que temos mais duas altas mandatários eleitas. Na Alemanha e no Chile. Uma de direita, que logo se alinhou, em alguns pontos, ao Bush, e no Chile, Michelle Bachelet, de esquerda. Torturada na ditadura de Pinochet, exilada e militante na resistência contra o regime. A emancipação feminina é assim mesmo, meio contraditória. Condolezza Rice é a alemã à direita, a chilena e outras à esquerda. As posições políticas e ideológicas são distintas. Para mim, o emancipacionismo feminino possui estas duas faces. A verdadeira é aquela engajada no processo de transformação social e política, além da solidariedade geo-política internacional. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

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