Opinião
Avalia��o da aprendizagem
| Carlos Cajueiro * Quando começa a exercer uma atividade pedagógica de sala de aula, o docente passa, pouco a pouco, a adquirir a consciência da necessidade de apurar ou avaliar o índice de aproveitamento do seu trabalho como professor (aquele que professa; aquele que ensina). Envolvido pela responsabilidade da função que exerce, o docente preocupa-se em procurar saber dos preceitos da prática da verificação da aprendizagem, preconizados no regimento da instituição de ensino que trabalha. Nem se dá conta de que, a verificação institucional comporta-se de forma obsoleta, inadequada e, acima de tudo, injusta. Os períodos de avaliação já estão previamente determinados no calendário escolar, como se fossem audiências jurídicas, previamente agendadas. E o pior é que, na maioria das vezes, funcionam mesmo como se fossem sessões do tribunal do júri: ?Vocês aí e eu aqui. Já ensinei. Agora é a hora de vocês mostrarem que aprenderam.? O que é engraçado, se não fosse trágico, é que, em alguns casos, o feitiço vira por cima do ?feiticeiro?. E os alunos não conseguem mostrar o que aprenderam, porque, simplesmente, não aprenderam. Em alguns casos, no final do período letivo, o docente consegue perceber que o processo avaliativo não funcionou. Mas já é tarde demais para consertar. As evidências parecem mostrar que o processo de avaliação da aprendizagem deve ser modernizado e adequado à realidade dos nossos dias, utilizando-se, necessariamente, dos mais avançados recursos tecnológicos disponíveis. A avaliação precisa ser dinâmica e variada, com o docente acreditando e utilizando-se da sua inesgotável criatividade. Outro fato desagregante é essa história de fixar 2 ou 3 avaliações para um período letivo. Ora, cada dia traz consigo uma energia própria. O dia de hoje não é igual a ontem e nem será igual ao amanhã. Por isso, acreditamos que a avaliação deve ser continuada e permanente. Os mecanismos de mensuração da qualidade da educação nacional parecem entorpecidos se comparados com a prática obsoleta do processo da avaliação da aprendizagem. Quantas instituições de ensino, no Brasil, estão verdadeiramente preocupadas com a avaliação do ensino que praticam ? Falamos de avaliação da aprendizagem e, muitas vezes, nem nos perguntamos: - quantas instituições de ensino estão fazendo, periodicamente, a avaliação da qualidade das avaliações que utilizam para mensurar a aprendizagem? As argumentações anteriores remetem-nos a sugerir, aos gestores e/ou legisladores da educação nacional, uma urgente discussão dos procedimentos de avaliação da aprendizagem, tornando-as atividades prazerosas e motivadoras para os nossos discentes que, atualmente, morrem de medo de enfrentar o ?juiz? da educação, naquele terrível dia de prova. (*) É professor e diretor do CCET/Fejal