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Nº 5730
Opinião

Vamos separar?

| DOM Edvaldo Amaral SDB * Nos 27 anos em que exerci o ministério episcopal (de 1975 a 2002), nunca assisti canonicamente matrimônios festivos dentro das 3 dioceses em que trabalhei. Apenas nas Visitas Pastorais que, graças a Deus, fiz em grande número,

Por | Edição do dia 20/01/2006 - Matéria atualizada em 20/01/2006 às 00h00

| DOM Edvaldo Amaral SDB * Nos 27 anos em que exerci o ministério episcopal (de 1975 a 2002), nunca assisti canonicamente matrimônios festivos dentro das 3 dioceses em que trabalhei. Apenas nas Visitas Pastorais que, graças a Deus, fiz em grande número, presidi os chamados “casamentos de reparação” de fiéis cristãos, que já viviam há alguns anos maritalmente, sem nenhum impedimento canônico. Em Noronha, já assisti a dois desses. Hoje, a minha experiência pastoral diz-me que, quando falamos com os nubentes, na preparação para o matrimônio, tenho a nítida impressão de que eu estou falando grego e eles falam turco... Isto é, falamos de sacramento - sinal da graça -, símbolo da união de Cristo com a Igreja, das disposições espirituais para receber a graça sacramental, da união de alma e coração, com um sério compromisso para toda a vida. Enquanto vamos falando, eles estão pensando no vestido branco de cauda, no buquê, nos cinegrafistas, no cantor que vai executar a indefectível “Ave-Maria”, às vezes até fora de hora, nas damas de honra e padrinhos, como será o automóvel branco para levar os recém-casados, onde será a lua-de-mel e coisas semelhantes. Então, uma proposta pastoralmente arrojada. Vamos separar as coisas. Faz-se uma cerimônia realmente religiosa, com quase todo o ritual, possivelmente, a Santa Missa, ou ao menos, a Sagrada Comunhão em ambiente restrito, religioso, piedoso, para poucos. É o Santo Sacramento do Matrimônio, com o recebimento do consentimento dos noivos, a bênção nupcial e quase tudo o mais. No dia seguinte, em outra oportunidade, haveria a tal festa de arromba. O Padre poderia no máximo dar as alianças (que na verdade são os dois que se dão mutuamente) e fazer um grande e aclamado discurso, com todas as músicas possíveis e imaginárias. Mas o sacramento, o santo sacramento do Matrimônio, já havia sido celebrado no recolhimento e na oração. O resto é só exibição e fausto... E a igreja como teatro para essas coisas... Que tal? Que dizem os canonistas, pastoralistas e liturgistas? Parece-me solução arrojada e boa... (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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