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O tempo passa depressa

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| Marcos Davi Melo * Acabo de voltar do aeroporto, onde fui levar o meu filho Marcel Davi, que viajou para São Paulo, onde assumirá a residência médica do Hospital A.C. Camargo, o conceituado Hospital de Câncer de São Paulo, para a qual foi aprovado em segundo lugar, disputando uma vaga com um grande número de candidatos, o que hoje é um segundo e ainda mais disputado vestibular para os muitos jovens que se formam em medicina pelo País a fora. Recompensado pelo esforço nos estudos, logrou aprovação também para a residência médica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, mas terminou optando por São Paulo. Marcel e outros jovens recém-formados, tanto na UFAL quanto na UNCISAL, fizeram bonito nos melhores e mais disputados concursos para residência nos maiores centros do País, mostrando que as nossas faculdades de medicina colocam no mercado profissionais em condições semelhantes às melhores faculdades do País. Junto com o Marcel, passaram também em outros disputados concursos para residência médica, jovens como o Marcos Rossiter, o Pedrinho Gomes e muitos outros. Outros ainda que bem preparados não se classificaram, o que não é demérito, uma vaga nas melhores residências chega a ser disputada por 80 a 90 candidatos. Estes jovens vão passar entre três e cinco anos se especializando. Depois vão disputar um mercado de trabalho mais do que desgastante e competitivo e vão ganhar muito pouco. Vão ouvir discursos políticos enaltecendo a importância da saúde, mas vão ver que na prática a saúde é tratada com desdém no País. Este quadro não mudou desde que me formei, há 31 anos atrás. Pelo contrário, a prestação de serviços médicos para a população pobre só piorou no País. Como agora, quando o governo federal retirou 30% do orçamento da Saúde para 2006. Senti um misto de alegria e angústia quando ele optou pela mesma profissão e especialidade que exerço. E, parece que foi ontem que me formei. No caso do Marcel, a UFAL lhe concedeu a antecipação da colação de grau, para que ele e mais outros vinte pudessem assumir os seus compromissos. Foi uma solenidade simples e coloquial, presidida pelo vice-reitor, Prof. Dr. Eurico Lobo; a mãe Ivanelza, professora da UFAL, falou em nome dos pais presentes. Com esforço e bravura conseguiu se manter firme, controlar a emoção e exaltar o papel da Universidade pública na formação destes jovens. Para mim, era hora de trabalho e não pude estar presente, mas é como se estivesse revivendo uma página de minha vida. (*) É médico.

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