Opinião
Paz sim, viol�ncia n�o!
| Dom José Carlos Melo , CM * Cresce assustadoramente a violência na cidade e no campo, colocando em risco a tranqüilidade das pessoas e sociedade, e nos perguntamos: o que fazer? A abertura do ano-novo nos convidou a celebrar o ?Dia Mundial da Paz e da confraternização Universal de todos os homens e de todos os povos?. Mais do que celebrar o Dia da Paz, somos chamados a viver e a promover a paz. Mas afinal o que é paz? Com o Vaticano II respondemos: ?A Paz não é a mera ausência de guerra, não se reduz ao simples equilíbrio de forças entre os adversários, nem é resultado de opressão violenta. É fruto da ordem que o seu fundador divino inseriu na sociedade humana?. Fiel ao seu divino fundador, de modo particular, nos últimos tempos a Igreja tem promovido continuamente a paz. Vale a pena relembrar um pouco sua inestimável contribuição. Em 11 de fevereiro de 1963, o papa João XXIII em sua inesquecível encíclica ?Pacem in terris?, dizia: ? Os quatro pilares da paz são: a verdade, que supõe a consciência dos próprios direitos e dos deveres para com os outros; a justiça, que exige o respeito aos direitos alheios e o cumprimento dos próprios deveres para com os outros; o amor, que supõe assumir como próprias as necessidades dos outros e a partilha dos próprios bens; a liberdade que exige o seguimento da razão e nos leva a assumir corajosamente as responsabilidades dos próprios atos. Sem estes quatro elementos é impossível a paz? Também em 04 de outubro de 1965, o papa Paulo VI declarou na Organização das Nações Unidas (ONU): ?A paz deve guiar os destinos da humanidade e dos povos. Se quereis ser irmãos, deixai cair as armas de vossas mãos. Não se pode amar com as armas em punho?. O documento de Puebla nos deixou bem claro que a violência não é nem cristã nem evangélica e que as transformações bruscas e violentas das estruturas serão enganosas, ineficazes em si mesmas e certamente não conformes com a dignidade do povo. Sendo assim, os homens precisam tomar consciência de que as melhores estruturas e os sistemas mais idealizados logo se tornam desumanos se suas inclinações não forem sanadas, se não houver a conversão do coração e da mente por parte daqueles que vivem nessas estruturas ou as dirigem. Neste ano, assim se expressou o atual papa, retomando o Apóstolo Paulo: ?Não te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem? ( Rm12,12). Concluiu suas palavras retomando o pensamento do Papa João Paulo II: ?A paz é o resultado de uma longa e árdua batalha, vencida quando o mal é derrotado com o bem?. (*) É arcebispo de Maceió