loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

EUA: paradoxos da hegemonia

Ouvir
Compartilhar

| Sérgio Barroso * Volto ao assunto. A ex-deputada Elizabeth Holtzman, do Partido Democrata (1973-1981), por Nova York, do Comitê de Justiça da Câmara no processo de impeachment de R. Nixon, escreveu um longo artigo para a revista The Nation, cujo título elimina dubiedades: ?O impeachment de G. W. Bush?. Sim, despenca a popularidade de Bush e a ocupação do Iraque, repudiada, abala a unidade nacional. E, claro, na primeira semana deste janeiro, cerca de 120 iraquianos foram assassinados, além de incontáveis feridos, em atentados patrocinados pelos rebeldes da insurgência; e, em dezembro último, mais de 2.500 cadáveres norte-americanos memorizavam o pânico da derrota no Vietnam. Entretanto, Holtzman teria esquecido que o vice de Bush, D. Cheney, ex-chefe do Pentágono, é carniceiro e notável mercenário da engrenagem industrial do petróleo e de armamentos? É simplificação ver, no horizonte próximo, o colapso da hegemonia imperialista estadunidense. Simplesmente porque não há quem substitua os EUA no atual sistema de poder das relações internacionais - moeda, armas e dominância doutrinária ideológica. Combatido, o neoliberalismo permanece. No fundamental, resumiria num movimento polar o dinamismo sistêmico destinador da posição hegemônica: a) quando o País central na hierarquia de poder exerce papel unívoco de ?estabilizador hegemônico?; b) quando a tendência à multipolaridade mundial se afirma, irreversivelmente, como ?desestabilizadora? de tal hegemonia. O primeiro caso pode ser visto claramente no pós-IIª Guerra Mundial, com a vitória militar dos aliados e ascensão do padrão ouro-dólar. O segundo caso vale para o processo de declínio do império britânico e a passagem do ?bastão? aos EUA, simultaneamente ao grande avanço da Alemanha, desde o final do século XIX. Hoje, um poderoso impulso emerge do último decênio do século XX: a nova divisão internacional do trabalho, reconfigurada especialmente pelas transformações no Sudeste da Ásia. A exemplo, Coréia do Sul e China são hoje exportadores de eletro-eletrônicos de ponta, para o centro capitalista. Ademais, o nível de reservas internacionais da China atingiu US$ 818,9 bilhões no último trimestre de 2005, segundo informações do governo chinês. Só o Japão (US$ 846,9 bilhões) tem estoque de reservas maior que a China. Enquanto os 12 países da zona do euro buscam escapar da captura norte-americana. Paradoxos e contra-tendências, diria o velho Marx. (*) É médico.

Relacionadas