Opinião
O ref�gio
| Gilberto de Macedo * Refúgio como forma de proteção. Precaução para não se deixar atingir por algo desagradável ou nocivo. Forma de auto-defesa. Diante de uma situação constrangedora ou incômoda e tomar uma iniciativa para se livrar. Espaço, onde se encontra apoio diante de uma contingência externa incômoda, ou de circunstância constrangedora. Mudança para um novo ambiente ecológico, ou para um outro meio social favorecedor. Tudo em defesa da vida e do bem-estar. Conforme a sua natureza, há duas formas gerais de refúgio: refúgio material e refúgio humano. Físico, constituído de quatro paredes, onde se protege das intempéries, dos estímulos nocivos do ambiente natural, dos ruídos e dos ofuscamentos luminoso, das temperaturas desadaptativas, das ventanias, terremotos e outros desastres da natureza. Refúgio sem acusação, pela ausência de autoria, e que se faz voluntariamente como defesa. E refúgio humano, logo o tradicional refúgio político, das pessoas que, por motivos ideológicos, são expulsos para fora do seu País, ou região, vitimas da estupidez do poder ditatorial. Sofrimento tenebroso, massacrante da condição humana, vigente há alguns anos atrás, motivante de solidária interrogação de Karl Heinzen: ? Existe homem mais na defensiva no mundo do que um refugiado sem pátria?... Não tem defesa, porque é estrangeiro; não tem crédito porque é refugiado; não tem direitos, porque é forasteiro.? Isso dava-se há poucos anos atrás; felizmente com a Declaração dos Direitos Humanos, não se aceita mais, juridicamente. E há o refúgio pessoal, que normalmente é momentâneo, por instantes, em vista de particularidades inquietantes. É voluntário, visando afastar-se de algo desconfortável. O refúgio aqui é a própria mente, onde o indivíduo tenta se proteger, fortalecendo-se. Refúgio dentro de si mesmo. Refúgio simbólico diante de uma lembrança que busca esquecer, de um pensamento negativo, de um desejo inaceitável. Aqui, ocorre, qual mecanismo de defesa, um acolhimento em si- mesmo. É como se reencontrar em imagens sonhadas, despertas com os melhores sentimentos, vivenciando belos projetos de vida. Refúgio, que não é, pois, fuga da realidade, porquanto dá-se apenas por momentos, mas que se estendem, com sua representatividade, para os tempos futuros. Não substitui a percepção da realidade; dá-lhe um novo e melhorado tom à existência. Assim, vale criar o próprio refúgio, nas boas lembranças e na imaginação criativa. (*) É médico.