Opinião
Trilho certo - Editorial
Aqui está uma boa notícia: a malha ferroviária em Alagoas terá uma nova chance de ser recuperada. A informação veio da Companhia Ferroviária do Nordeste, que promete começar os trabalhos nos idos de março deste ano. A precariedade do sistema ferroviário em todo o Brasil é algo difícil de ser compreendido pela lógica simples e formal, pois as condições geográficas e geológicas do solo brasileiro são propícias para a instalação de grandes ferrovias. E os caminhos de ferro são muito mais econômicos e práticos que as rodovias em asfalto. O melhor exemplo de correta compreensão do papel das linhas ferroviárias pode ser encontrado nos Estados Unidos, que começaram a construí-las de forma intensa a partir de 1829. No fim do século XIX os americanos dispunham de mais quilômetros de linhas férreas que todos os países europeus juntos. No ano de 1890, os trens passaram a ligar diretamente as costas Leste e Oeste, e a economia americana pôde transportar o que bem quisesse de seus portos do Atlântico a seus portos do Pacífico. Na mesma época, o Brasil tinha suas ferrovias, é verdade, mas as bitolas eram diferenciadas de região para região, o que impedia um mesmo comboio cruzar, sem baldeações, uma parte significativa do País. Mesmo assim, com bitolas diferenciadas e investimentos acanhados, foram as estradas de ferro as responsáveis pelo crescimento econômico brasileiro na virada do século XIX para o século XX. Não fosse isso, Delmiro Gouveia não teria conseguido operar o verdadeiro milagre de industrializar (por volta de 1912) um lugar ermo chamado Pedra, onde antes só existia uma mísera vila em torno de um ponto de parada do trem. Em boa hora, ressurge a esperança de revitalização de parte das ferrovias alagoanas. Oxalá esse caminho seja seguido sem desvios de rota ou descarrilamentos.