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Nº 5732
Opinião

O sacerdote mission�rio

| Dom José Carlos Melo, CM* Evocando o evangelista Mateus, o missionário é aquele que oferece e recebe dons. “De graça recebeste, de graça dai” (Mt 10,8 ). É sempre visto como alguém que oferece um “presente”: o dom que recebeu de Deus e que quer oferece

Por | Edição do dia 05/02/2006 - Matéria atualizada em 05/02/2006 às 00h00

| Dom José Carlos Melo, CM* Evocando o evangelista Mateus, o missionário é aquele que oferece e recebe dons. “De graça recebeste, de graça dai” (Mt 10,8 ). É sempre visto como alguém que oferece um “presente”: o dom que recebeu de Deus e que quer oferecer aos outros. Há uma força que empurra o evangelizador a comunicar essa dádiva, é um poder inerente ao mesmo dom que deve ser transmitido e nunca guardado. A felicidade de ter recebido o dom de Deus é tão grande que impulsiona o missionário a querer partilhar essa alegria. Aí está a mística missionária de que fala São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar” Toda a missão sacerdotal do consagrado é uma oferta total ao próprio Cristo, o oferecimento do dom está inserido num sistema de trocas, em que há uma necessidade de oferecer, aceitar e retribuir. É um sistema que está na raiz e na visão do mundo de muitos povos. Este sistema define o princípio da relação com os outros. Quando se fala em “sistema”, entende-se uma estrutura que está na raiz do processo cultural e da construção da identidade. Junto com a dádiva de si mesmo, há toda uma força inerente a ela, quase uma obrigação de ser oferecida, mas também aceita e retribuída. Este é o verdadeiro sentido do missionário, o dom que carrega consigo deve ser trocado por outro dom que é oferecido pelos diferentes povos e culturas. O Espírito de Deus já colocou as sementes que enriquecem a experiência da oferenda do missionário. O missionário não é sempre aquele que é obrigado a oferecer, ele também deve receber o dom e permitir ao outro retribuir. Por isso, com sabedoria afirma São Vicente: “Antes de evangelizarmos os pobres, somos por eles evangelizados”. O Projeto Nacional de evangelização da CNBB para 2004-2007, que explicita e atualiza as diretrizes, diz que “é hora de um verdadeiro despertar para um entusiasmo missionário”, e que as mudanças rápidas e profundas de nossa sociedade “precisam ser enfrentadas com uma ação missionária e profética da Igreja”. Precisamos viver todo um processo missionário em atitude de caminhada, de avaliação permanente, com liberdade interior, com desprendimento. A Missão tem de ser encarada como algo que vem para questionar, provocar e iluminar. Há sempre o perigo de adaptar o novo aos esquemas que já temos; aí a novidade se foi. A grande crise que o mundo e as Igrejas atravessam é de sentido, de espiritualidade, de novidade séria, de mística. A ação missionária será então uma resposta a esta crise. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió

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