Opinião
Meninas de Jaragu�
| Zunara Lyra * Existe no ser mulher, no mais profundo de sua alma, um extraordinário poder de amar com beleza e graça. Poder de cuidar, de se dar, de viver paixões, principalmente quando o caminho é apontado pelo coração. Mulher... Mulher! Ser inspirado e inspirador. Ser criadora de vida. Ser de movimentos dançantes e contornos flutuantes. De beleza singular como flores que nascem únicas no jardim da existência. Expressando o divino na sua mais profunda inspiração. Assim é o ser mulher. Assim a mãe. Assim a amante. Assim a cortesã. Assim a prostituta. Assim a dama da noite. Não importa em qual nome, conceito ou identidade possa ter sido congelada a sua essência. Importa é que o Divino está lá, na sua mais pura expressão. Mulheres que alegraram e tocaram os corações masculinos ao longo do vaivém das embarcações do cais do porto, nos tempos idos de Jaraguá, mesmo machucando suas, já tão feridas, almas. Mulheres que com paixão transformaram seus corpos e seus sentimentos em profissão e sobrevivência, a um altíssimo custo para seus espíritos. As Meninas de Jaraguá, bloco carnavalesco criado em 2001, por mulheres que de forma amorosa e respeitosa, homenageiam as antigas cortesãs do cais do porto de Jaraguá. Naquele ano, algumas poucas amigas juntaram-se em volta de um singelo estandarte carregado por seus gentis cavalheiros, e embalados pela Seresta da Pitanguinha, nascia ali uma nova agremiação carnavalesca. Mulheres que abraçam a sua beleza e fantasiam-se com toda a expressão que mantêm resguardadas no seu íntimo, reverenciando as mulheres que em tempos idos, escolheram ou foram levadas a viver, na raça e na coragem, profissionalmente a expressão do seu Ser Mulher. Enquanto As Meninas de Jaraguá preparam-se e vestem alegremente suas fantasias, tais gestos se transformam em apelos e orações, rogando para que as almas das outras mulheres, em dimensões outras, passam receber as vibrações de amor expressas nesta sagrada reverência, neste respeitoso espaço que se abre com beleza, graça, cor, saltos, arrastões, brilhos, plumas e paetês, embalados pela música melodiosa dos anjos seresteiros da pitanguinha. O movimento do bloco é inspirado e inspirador, pois trás em si o resgate dos bons momentos dos antigos carnavais de rua, quando as inquietas folias sonhavam com os dias momescos, para poderem desfilar faceiras e belas com suas fantasias exuberantes. É com alegria e beleza que As Meninas de Jaraguá se preparam para o seu 7º desfile, fica aqui o convite para que as mulheres se juntem a este movimento de expressão e reverência da beleza feminina. Deixem aflorar dos recônditos do seu ser, dos seus arquétipos ancestrais, as mais belas inspirações. Usem o seu poder criador para materializar, em fantasias momescas, a dama da noite, a cortesã, a camélia, a colombina, a odalisca e todas as suas deusas. Permita-se dar cor, alegria e movimento a sua vida: este é o poder terapêutico e curador do carnaval. (*) É psicóloga.