loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O homem e o mito

Ouvir
Compartilhar

| José Medeiros * Sento-me para digitar a crônica da semana, após assistir na televisão parte das homenagens prestadas, no Senado, ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, pelo transcurso dos 50 anos de sua posse na presidência da República. Entretanto, não é do político Juscelino que quero falar, e, sim, do médico humanitário que ele foi, segundo depoimento e testemunhos de seus colegas médicos mineiros. No início da década de 60 do século passado, por ocasião de um seminário de que participei em Belo Horizonte, acompanhando o dr. José Araújo Silva (era professor de Tisiologia da UFAL, presidente da Liga Alagoana Contra a Tuberculose e radiologista de renome), - decidimos assistir a uma palestra do ex-presidente Kubitschek, largamente anunciada durante o dia. Ele iniciou lembrando uma frase famosa de Piaget, mestre da pedagogia moderna: ?É fácil ser radical, preto ou branco, difícil obter o cinza; por isso, o homem demorou tanto a alcançar o pensamento dialético?. Referia-se ao diálogo, franco e aberto, como forma de conseguir consensos e maiorias que permitissem uma condução sem traumas da vida política brasileira. Contou sua história: um jovem pobre, do interior, que conseguiu com muitas dificuldades estudar medicina. Definia essa sua fase com estas palavras: ?Nada me custou na vida tanto esforço como cursar a Faculdade de Medicina e formar-me. pertenci à estirpe dos estudantes sem mesada, dos que durante o curso trabalharam por necessidade?. Dizem que há muitas formas de uma pessoa ser valorizada, mas a melhor delas é valer na opinião dos outros. Os colegas mineiros nutriam especial admiração pelo cirurgião Juscelino, pela sua contribuição à medicina, dedicação e bom trato aos pacientes mais humildes. Durante sua vida pública, foi nomeado prefeito de Belo Horizonte, pelo então governador Benedito Valadares, de quem seus conterrâneos contavam curiosas piadas. Vejamos uma delas: Valadares ia verificar, semanalmente, como andava a construção do lago e da igreja da Pampulha projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Numa dessas ocasiões, um assessor chamou sua atenção para a mudança do tempo: ?Governador, a atmosfera está ficando carregada?. Ele olhou para o céu, mas como havia uma mangueira centenária, carregada de frutos, bem à sua frente, saiu-se com essa: ?é, está carregada mesmo, tem cada ?atmosferona? pendurada?... Na palestra, Juscelino Kubitscheck ressaltou a necessidade de humanização da medicina; a arte de curar exercida com humanidade e compreensão. (*) É médico.

Relacionadas