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A quem interessa a transpar�ncia?

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| André Carneiro * Aqui, limito meus questionamentos à transparência da informação, à transparência de nossos sistemas computacionais, de nossas bases de dados, mas não vamos esquecer que a prática da transparência passa por muito mais do que isso, passa por nós, por mudança de atitudes, por quebra de paradigmas. O que entendemos por transparência? Acredito que o significado comumente percebido é o da divulgação. O governo necessita divulgar suas ações, seus balanços, seus gastos. O que eu mais gosto na definição de transparência não é o divulgar, o belo está em não despertar dúvidas, não admitir interpretações diversas, não ser ambíguo. Nossas bases de dados são transparentes? Por exemplo, no que diz respeito ao patrimônio, elas identificam os verdadeiros proprietários do solo brasileiro, os verdadeiros latifundiários ou elas permitem a utilização de terceiros/laranjas? Nossos sistemas computacionais permitem o registro de patrimônios de origem duvidosa? Eles acompanham as movimentações financeiras ou permitem a lavagem de dinheiro? Nossas bases de dados são qualificadas ou despertam dúvidas? A quem interessa a existência/divulgação de informações qualificadas? Será que interessa aos nossos governantes/representantes que acreditam na prática do ?caixa 2?, dos mensalões, das compras de votos, do superfaturamento de obras, ou seja, será que interessa a quem acredita em desvio de recursos, quem acredita na prática do informal, na prática da troca de favores? Interessa aos empresários que financiam as campanhas e que abastecem o ?caixa 2?? Interessa às instituições financeiras que lucram com a especulação? Parece-me óbvio que a estas pessoas a transparência não interessa! A transparência financeira interessa a quem não rouba, nem desvia, nem sonega. Estamos falando da maioria da população que, seja por honestidade ou por falta de oportunidade, não tem nada a esconder! Fica claro que a elite dominante nada fará para qualificar nossas bases de dados, restando a nós ? meros mortais sim, mas imensa maioria ? fazer com que o governo, de uma forma democrática ? com a participação de todos os segmentos da sociedade ?, inicie o planejamento estratégico da informação brasileira. Em um próximo artigo discutiremos quais as conseqüências da falta de planejamento, do re-trabalho, das atitudes isoladas... na qualidade da informação brasileira. (*) É analista de sistemas de informação (andré@smf.maceio.al.gov.br).

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